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Tecnologia afeta fala e linguagem dos bebês, aponta Sociedade Brasileira de Pediatria

Compartilhe:     |  14 de fevereiro de 2020

A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) lançou ontem um manual de orientação aos pais sobre os riscos à saúde de crianças e adolescentes com a exposição às telas, internet e redes sociais. O documento destaca a influência familiar no uso desregrado da tecnologia.

A atenção da família dada à criança ou adolescente pode ser considerado um fator de risco ou de proteção para o desenvolvimento de problemas ligados à era digital. O guia aponta que a causa de alguns problemas sociais geralmente está associada à negligência ou deficiência na relação dos filhos com os pais e a família. Um dos exemplos é o uso das redes sociais pelos adolescentes como válvula de escape.

O manual também estabelece novas indicações práticas para o uso de telas, como o limite máximo de 2 horas de exposição para crianças entre 6 e 10 anos. Orienta também que adolescentes com idades entre 11 e 18 anos fiquem, no máximo, 3 horas diante de telas, inclusive de videogames. Os pais nunca devem deixá-los “virar a noite” jogando.

“Crianças em idades cada vez mais precoces têm tido acesso a smartphones e notebooks, além dos computadores que são usados pela família em casa, nas creches, em escolas ou até em restaurantes, ônibus e carros, sempre com o objetivo de fazer com que a ‘criança fique quietinha’, afirma texto do estudo.

A pediatra Susana Fenon, do Grupo de Trabalho de Saúde na Era Digital da SBP, afirma que a limitação vale para todos os tipos de telas.

— Não é a mesma relação que tínhamos com a TV há duas gerações. A tecnologia hoje é muito íntima, fazendo com que a nossa saúde e tempo sejam afetados diretamente, sobretudo nas crianças e adolescentes.

A SBP desaconselha o uso de telas por bebês: “O olhar e a presença da mãe/pai/família é vital e instintivo como fonte natural dos estímulos e cuidados do apego e que não podem ser substituídos por telas e tecnologias”.

De acordo com a SBP, o atraso no desenvolvimento da fala e da linguagem é frequente em bebês que ficam passivamente expostos às telas, por períodos prolongados.

Uso de fones pode elevar o estresse

Em relação aos jogos de videogames, a SBP diz que o que era uma distração passa a ser uma solução rápida para desaparecerem sentimentos perturbadores e emoções difíceis com as quais as crianças e adolescentes ainda não aprenderam a lidar.

“A dependência dos jogos, inclusive com teor violento, mas que trazem desafios e recompensas, impede que enfrentem os problemas que contribuíram com este estresse tóxico e a liberação do cortisol, criando um ciclo vicioso de ansiedade e depressão”, diz o documento, que acrescenta: “O tecnoestresse se torna ainda mais problemático, por perda da empatia, crescente irritabilidade e agressividade, causando alterações do comportamento, do relacionamento familiar e social, de transtornos de aprendizado e escolar, além de diversas outras doenças”.

— A intoxicação digital é quando essa criança ou adolescente deixa de fazer atividades até então importantes para elas, que eram fontes de prazer, e passam a ser substituídas pelo uso das tecnologias, afetando seus relacionamentos, alimentação e sono — explica Fenon.

A SBP alerta também que o brilho das telas, devido à faixa de onda de luz azul presente na maioria delas, contribui para o bloqueio da melatonina e para a prevalência cada vez maior das dificuldades de dormir e manter uma boa qualidade de sono.

Existe também o aumento do estresse pelo uso indiscriminado de fones de ouvido (headphones) em volumes acima do tolerável, que podem causar trauma acústico e perda auditiva irreversíveis, induzidos pelo ruído.



Fonte: Extra - Constança Tatsch e Evelin Azevedo



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