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Tecnosfera é vista como uma espécie de nova camada da Terra

Compartilhe:     |  31 de agosto de 2020

A tecnosfera é vista como uma espécie de nova camada da Terra, que está crescendo em ritmo acelerado

A tecnosfera pode ser entendida como a esfera ou reino da atividade tecnológica. Ela abrange todas as estruturas constituídas pelo trabalho humano no espaço da biosfera. Embora o conceito já exista há várias décadas, seu significado ainda é muito vago, o que faz com que seja objeto de estudo de inúmeros pesquisadores.

O termo tecnosfera foi desenvolvido pelo geólogo e engenheiro norte-americano Peter Haff, professor emérito na Duke University, nos Estados Unidos. De acordo com ele, além de abranger esses objetos tecnológicos, a tecnosfera também engloba os seres humanos e os sistemas profissionais e sociais por meio dos quais interagem com a tecnologia, como fábricas, escolas, universidades, bancos, entre outros. Ela inclui ainda espécies domesticadas, que foram escolhidas para prover alimento, fabricar instrumentos e vestimentas ou para auxiliar como força de trabalho, por exemplo.

Os resíduos produzidos pelos seres humanos e que são descartados na natureza também fazem parte da composição da tecnosfera. Uma equipe internacional liderada por geólogos da Universidade de Leicester fez a primeira estimativa do tamanho da estrutura física da tecnosfera do planeta, sugerindo que sua massa se aproxima de enormes 30 trilhões de toneladas. Isso equivale a mais de 50 quilos para cada metro quadrado da superfície terrestre.

Formação dos fósseis do futuro

Uma analogia pode ajudar a mostrar a natureza dessa nova estrutura planetária. Geologicamente, objetos tecnológicos podem ser considerados tecnofósseis, já que são construções robustas e resistentes à degradação. Assim, eles formarão os fósseis do futuro, caracterizando os estratos do Antropoceno.

Pesquisas sugerem que os diferentes tipos de tecnofósseis existentes já superam o número de espécies de fósseis conhecidos, enquanto a tecnodiversidade moderna também excede a diversidade biológica atual. Vale ressaltar que o número de espécies de tecnofósseis continua aumentando, uma vez que a evolução tecnológica supera em muito a evolução biológica.

Enquanto quase toda a energia da biosfera provém do Sol, parte da tecnosfera também é alimentada pela energia solar e por outros recursos renováveis. No entanto, a maior parte dela é carregada pela queima de combustíveis fósseis, incluindo o petróleo, o carvão mineral e o gás natural.

Durante milênios, os seres humanos têm utilizado fontes de energia como moinhos d’água, mas a enorme explosão de energia que agora é necessária para alimentar a tecnosfera está em uma escala completamente diferente. Uma estimativa sugere que os seres humanos consumiram mais energia a partir do início do século XX do que em todos os onze mil anos anteriores do Holoceno.

Tecnosfera está inundada de resíduos

tecnosfera, no entanto, se diferencia da biosfera em um aspecto fundamental. A biosfera é capaz de reciclar os materiais dos quais é feita, e essa facilidade permitiu que ela sobrevivesse na Terra por bilhões de anos. A tecnosfera, por outro lado, é fraca em reciclagem. Alguns resíduos provenientes da ação humana levam muitos anos para se decompor na natureza. Um exemplo é o plástico, que vem se acumulando nos oceanos do mundo e nos litorais dos continentes. Outros tipos, sendo incolores e inodoros, são invisíveis para nós, como o dióxido de carbono proveniente da queima dos combustíveis fósseis.

Atualmente, a massa de dióxido de carbono emitido industrialmente na atmosfera é de cerca de 1 trilhão de toneladas por ano, o que equivale a 150 mil pirâmides egípcias. Esse rápido crescimento de produtos residuais é uma ameaça à existência continuada da tecnosfera e dos serem humanos que dependem dela.

Alteração das condições planetárias

O desenvolvimento da tecnosfera permitiu que a população humana aumentasse de algumas poucas dezenas de milhões para os atuais 7,3 bilhões de indivíduos que habitam o planeta. O modo de vida caçador-coletor possibilitou a evolução da espécie humana, mas o aumento populacional só foi possível graças às inovações e à fixação de residências. Os fertilizantes artificiais produzidos com o uso do processo Haber-Bosch são um bom exemplo de como uma única inovação tecnológica é capaz de manter viva cerca de metade da população humana atual.

As capacidades humanas de organizar estruturas sociais sofisticadas e de desenvolver e trabalhar com ferramentas foram fundamentais para o surgimento da tecnosfera, um sistema completo e que possui dinâmicas próprias. Embora a humanidade tenha sido fundamental para o desenvolvimento da tecnosfera, atualmente nossa existência depende dessa camada e, portanto, precisamos trabalhar para mantê-la, já que a tecnosfera nos fornece alimentos, abrigo e outros recursos.

Por alterar as condições de habitabilidade planetária, a tecnosfera pode ser considerada como um parasita presente na biosfera. As consequências disso incluem as elevadas taxas de extinção de espécies de plantas e animais, assim como as mudanças climáticas e na composição química dos oceanos, que são bastante prejudiciais às comunidades biológicas existentes. Essas mudanças, por sua vez, podem prejudicar o funcionamento da biosfera e das populações humanas. Por isso, os seres humanos devem buscar opções que ajudem a tecnosfera a evoluir para uma forma que seja sustentável a longo prazo.



Fonte: Equipe Ecycle - UNESCO e Phys.org



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