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Teia ‘invisível’ dá impressão de ‘chuva de aranhas’, comum no cerrado

Compartilhe:     |  23 de janeiro de 2015

É no fim da tarde que o céu é “tomado” por aracnídeos que, caminhando em suas teias gigantes e comunitárias, acabam caindo no chão ou sobre quem caminha pelas ruas de cidades do cerrado brasileiro onde, segundo especialistas, o fenômeno é bem comum. Conhecido popularmente como “chuva de aranhas”, a presença de vários desses insetos em cidades como São Manuel, no interior de São Paulo, e Santo Antônio, no interior do Paraná, tem assustado a população.

Segundo os especialistas, o fenômeno acontece com frequência há vários anos em áreas de cerrado, que compreendem 35% do território nacional. “Há relatos da ‘chuva de aranhas’ há mais cem anos no Paraguai, inclusive”, conta o pesquisador científico do Instituto Butantan, Rogério Bertani. “Quem mora no interior conhece o fenômeno. O problema é que com o advento das tecnologias, a facilidade em publicar imagens e vídeos na internet, as pessoas acabam se assustando com isso, principalmente quem mora nas cidades grandes, mas esse fenômeno é bastante comum”, afirma.

Ele explica que o fato dessas aranhas serem relativamente grandes acaba alarmando ainda mais as pessoas. “No geral, são aranhas da espécie Parawixia bistriata, que medem entre 1,5 cm e 2 cm. São animais sociais, mas como não são tão pequenas, acabam não passando despercebidas pela população”, diz.

As Parawixia bistriata são sociáveis, uma característica rara entre as demais espécies de aracnídeos, conhecidos por serem individuais –e até por não tolerarem a presença de outro animal do mesmo tipo. A professora do departamento de Biologia da PUC-PR (Pontifícia Universidade Católica do Paraná), Marta Fischer, especialista em aracnídeos, explica que essas aranhas se juntam para construir teias maiores e, assim, ter mais chances de capturar insetos.

Segundo ela, esse fenômeno geralmente acontece nas matas, em cima das árvores, e afirma que as aranhas estão cada vez mais tomando as cidades por causa do desmatamento. “Elas são encontradas nas bordas das matas ou em chácaras, fazem teias em arbustos e, quando chove, muitas acabam subindo”, explica. “Elas não deixam a teia armada durante o dia, mas ficam em ninhos, e só começam a aparecer no fim da tarde, para fazer as suas telas, que são muito finas, por isso, difíceis de serem vistas. Quando olhamos para o céu, não enxergamos as teias, vemos apenas as aranhas como se estivessem flutuando.”

O pesquisador científico do Instituto Butantan, Rogério Bertani, discorda que as frequentes “chuvas de aranhas” tenham como causa o desequilíbrio ambiental. “Não é distúrbio da natureza. Não é pelas secas, nem pelas queimadas. O fenômeno só está sendo divulgado de forma mais efetiva por causa das novas tecnologias”, afirma.

Ambos concordam, no entanto, com o fato de que não há motivo para preocupações, pois o veneno dessas aranhas é inofensivo ao homem. “Toda aranha tem veneno para matar os insetos. Não conheço registros de intoxicação humana por causa do veneno dessas aranhas”, afirma Marta Fischer. “Há trabalhos científicos, inclusive, que estão investigando a eficácia desse veneno para a fabricação de medicamentos. Eles podem ser úteis aos humanos”, diz Rogério Bertani.

Os dois também concordam com outro ponto: que as pessoas devem apreciar o fenômeno. “Apreciem a ‘chuva’, não matem os animais, nem coloquem fogo. É um fenômeno normal da natureza”, declara Bertani.

“Como sou da área, acho algo bonito de se ver. Por isso, aproveitem para apreciar essa maravilha da natureza. Não precisa entrar em pânico. São apenas animais que abriram mão da sua individualidade para, juntos, viverem em comunidade e assim aumentar a chance de sobreviverem”, afirma Fischer.



Fonte: Uol - Mirthyani Bezerra



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