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Telescópio TESS descobre 1º planeta fora do “disco fino” da Via Láctea

Compartilhe:     |  22 de março de 2020

Desde que os especialistas começaram a olhar para fora do Sistema Solar, eles já descobriram cerca de 4 mil exoplanetas na Via Láctea. Mas agora, graças ao programa da NASA Transiting Exoplanet Survey Satellite (TESS), os astrônomos descobriram o primeiro planeta fora do nosso plano galático.

O exoplaneta foi chamado de LHS 1815b e tem 1088 vezes o tamanho da Terra, o que sugere que esse seja um mundo rochoso e muito denso — se tivesse as proporções do nosso planeta, sua massa seria equivalente a 8,7 vezes a nossa. Mas a grande novidade é o fato de que o exoplaneta orbita uma estrela que está a 5870 anos-luz acima do plano galáctico.

Quando você pensa em galáxias espirais como a Via Láctea, provavelmente imagina um disco plano, as estrelas e o gás dispostos em braços espirais que orbitam o centro galáctico, no qual fica um buraco negro supermassivo. Embora tecnicamente essas galáxias estejam dentro de um halo esférico, a maior parte desse espaço está vazio, com a maioria da massa concentrada em um disco fino. Essa forma plana é o resultado de uma física bastante complexa que envolve o resfriamento de gases à medida que eles retêm o momento angular do sistema.

Mas algumas dessas galáxias “planas”, como a Via Láctea, são mais complexas. Apesar de esse disco fino ser onde estão a maior parte das estrelas e do ar da galáxia, há uma espécie de “disco inchado”, que é muito mais espesso, situado entre o disco plano e a auréola — onde ficam as fronteiras do sistema. É bem mais difícil encontrar astros situados no disco inchado da galáxia, pois por lá a concentração deles é realmente menor.

Quando os astrônomos descobriram a assinatura do LHS 1815b nos dados do TESS, o sistema estava a apenas 97 anos-luz de distância da Terra, mas, mesmo assim, chamava a atenção. Exoplanetas rochosos do tamanho do nosso são a minoria que detectamos, e por isso novos exoplanetas desse tipo são valorizados, porque é onde mais se espera encontrar as condições adequadas para a vida como a conhecemos.

De acordo com o estudo, publicado no The Astronomical Journal, as estrelas do disco inchado têm quase todas mais de 10 bilhões de anos, são pobres em metais e movem-se mais rapidamente que as do disco fino. Além disso, elas têm órbitas que passam através do disco fino e entram no disco inchado, acima e abaixo do plano galáctico.

Por isso é tão difícil estudar esses corpos celestes, mas, felizmente, o TESS pôde identificar LHS 1815b a tempo — ele está em direção ao plano inchado, e os cálculos da equipe sugerem que sua distância máxima de nós chegue a 5870 anos-luz. “Será uma excelente oportunidade para estudar a diferença na evolução do planeta entre os discos finos e grossos”, escreveu a equipe no artigo.



Fonte: Revista Galileu



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