Notícias

Terra: cientistas descobrem que núcleo de nosso planeta tem um outro núcleo em seu interior

Compartilhe:     |  10 de fevereiro de 2015

Embora não exista nenhuma terra pré-histórica escondida no centro do nosso planeta, como o autor Júlio Verne imaginava, o núcleo da Terra pode não ser exatamente como os cientistas imaginavam.

Geólogos descobriram que o núcleo interno da Terra – que pensava-se ser um pedaço sólido de ferro – pode, de fato, ter um próprio núcleo ainda menor dentro dele.

Usando as ondas sísmicas, que se repercutem em todo o planeta após os terremotos, os pesquisadores foram capazes de obter uma nova visão sobre o que existe no centro de nosso mundo. As descobertas podem significar que nossa compreensão sobre o interior da Terra, e sua história, serão revisadas.

Os cientistas descobriram que, ao invés de uma bola sólida de ferro encontrar-se dentro da massa fundida do núcleo externo, as alterações na estrutura do núcleo interno começam desde metade do caminho. Eles descobriram um núcleo interior distinto, cerca de metade do diâmetro do que se acreditava anteriormente, tendo aproximadamente o tamanho da lua.

O professor Xianodong Song, um geólogo da Universidade de Illinois, disse que as estruturas de dois núcleos internos poderiam ajudar a revelar novos detalhes sobre como a Terra se formou. “Mesmo que o núcleo interno seja pequeno – menor do que a lua – ele possui algumas características muito interessantes. O fato de termos duas regiões que são bem distintas pode nos dizer algo sobre como o núcleo interno vem evoluindo”, disse. “Por exemplo, ao longo da história da Terra, o núcleo interno pode ter tido uma mudança muito drástica em seu regime de deformação. Poderia ser a chave para a forma de evolução do planeta”, completou o pesquisador.

O autor de ficção científica Júlio Verne especulou que poderia existir um mundo oculto, congelado no tempo, encontrando-se sob os nossos pés, em seu livro ‘Viagem ao Centro da Terra’. No entanto, os geólogos têm estabelecido que a Terra é composta de três camadas principais – a crosta, a camada de magma quente conhecido como o manto e o núcleo. Sabe-se que o núcleo é composto por um líquido de ferro e níquel, além de um núcleo interior. Mas, na última pesquisa, o professor Song e seus colegas da Universidade de Nanjing, na China, descobriram que até mesmo esse núcleo interno é mais complexo do que se acreditava anteriormente.

Enquanto os cristais de ferro nas camadas exteriores do núcleo interior, estão alinhados numa direção norte-sul, os da cama inferior mais interna estão alinhados na direção leste-oeste.

Os pesquisadores usaram o “eco” das ondas sísmicas que saltam ao redor do planeta depois de um terremoto para construir uma imagem do interior da Terra. Matrizes de sensores em locais ao redor do mundo, incluindo a Venezuela e o sudeste da China, permitiram aos cientistas medir os atrasos com base no tempo que levaram até que elas percorressem o planeta.

Eles descobriram que as ondas sísmicas que passaram através do centro do planeta tiveram interferência muito diferentes daquelas que viajaram através do resto do núcleo. Eles também descobriram que os cristais de ferro no núcleo interno também podem ter estruturas cristalinas muito diferentes, o que significa que eles também têm propriedades diferentes.

De acordo com Song, é provável que as mudanças tectônicas no início da história da Terra levaram a estas diferentes estruturas no núcleo. “Isso pode nos dizer sobre como nosso planeta se formou, a sua história, e outros processos dinâmicos da Terra. Ela molda a nossa compreensão do que está acontecendo nas profundezas da Terra”, concluiu.



Fonte: Jornal Ciência - Bruno Rizzato



Leia também:

Projetos ambientais
Aqui você é o Reporter

Espaço Animal

“Comida de humanos” pode até matar os pets! Veja os riscos dessa prática

Leia Mais