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Terra perdeu 28 trilhões de toneladas de gelo em menos de 30 anos

Compartilhe:     |  13 de setembro de 2020

Um total 28 trilhão de tonelados de gelo desapareceu da superfície da Terra desde 1994. Essa é uma conclusão surpreendente dos cientistas do Reino Unido quem tem analisado satélites de pesquisas dos polos, montanhas e geleiras do planeta, para medir a quantidade de cobertura de gelo perdida devido ao aquecimento global causado pelo aumento das emissões de gases de efeito estufa.

Os cientistas – baseados nas universidades de Edimburgo e Leeds e na Universidade de Londres – descrevem o nível de gelo perdido como impressionante e alertam que suas análises indicam que o nível do mar cresce, desencadeado pelo derretimento das geleiras e mantos de gelo, que podem alcançar um metro até o fim do século.

“Colocando no contexto, cada centímetro do nível do oceano significa que aproximadamente um milhão de pessoas vão ser deslocadas de suas moradias em áreas baixas”, disse o Professor Andy Shepherd, diretor do Centro de Observação Polar e Modelagem da Universidade de Leeds.

Os cientistas também alertam que o derretimento de gelo nessa quantidade está agora seriamente reduzindo a habilidade do planeta de refletir a radiação solar de volta para o espaço. O gelo está desaparecendo e o oceano escuro ou o solo estão expostos absorvendo mais e mais calor, aumentando ainda mais o aquecimento do planeta.

Além disso, água fria fresca derramada do derretimento das geleiras e mantos polares é a causa majoritária de disrupções na saúde biológica das águas do Ártico e do Antártico, enquanto a perda de geleiras nas cadeias de montanhas ameaçam a destruição de fontes de água fresca da qual as comunidades locais dependem.

“No passado, pesquisadores estudaram áreas individuais – assim como Antártico ou Groenlândia – onde o gelo derrete. Mas essa é a primeira vez que alguém tem olhado para todo o gelo que está desaparecendo no planeta todo”, disse Sherpherd. “O que encontramos dessa vez tem nos impressionado.”

O nível de gelo perdido revelado por um grupo combina com previsões do pior cenário possível delineado pelo Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC), ele adicionou.

O grupo estudou pesquisas de satélites de geleiras na América do Sul, Ásia, Canadá e outras regiões; gelo marinho no Ártico e Antártico; mantos de gelo que cobrem o chão na Antártica e Groenlândia, e prateleiras de gelo que se sobressaem no centro da Antártica no oceano. O estudo cobriu os anos de 1994 até 2017.

Os pesquisadores concluíram que todas as regiões sofreram devastação de redução na cobertura de gelo nas últimas 3 décadas e essa perda continua.

“Para colocar as perdas que já tivemos em contexto, 28 trilhões de toneladas de gelo poderiam cobrir toda a superfície do Reino Unido com um manto de gelo com 100 metros de grossura,” acrescentou o membro do grupo Tom Slater da Universidade de Leeds. “É só um surpresa”.

Para a causa dessa perda impressionante, o grupo é brilhante: “Pode ser que haja uma pequena dúvida de que a vasta maioria de perda de gelo na Terra é consequência direta do aquecimento global”, eles afirmam em seu artigo de revisão, que foi publicado no jornal online Cryosphere Discussions.

“Na média, a temperatura média da superfície terrestre cresceu 0,85°C desde 1880, e esse sinal tem sido maior nas regiões polares”, eles afirmam. Tanto as temperaturas atmosféricas e do oceano têm crescido em consequência e o duplo golpe resultante desencadeou perdas catastróficas de gelo como foi descoberto pelo grupo.

No caso do manto de gelo derretido na Antártica, o aumento da temperatura marinha tem sido o guia central enquanto o aumento da temperatura atmosférica tem sido a causa da perda de gelo das geleiras do interior como no Himalaia. Na Groenlândia, perda de gelo tem sido desencadeada pela combinação do aumento de temperatura marinho e atmosférico.

O time ressaltou que nem todo o gelo que foi perdido durante esse período contribuiu para o aumento do nível do oceano. “Um total de 54% do gelo perdido veio do gelo marinho e das prateleiras de gelo”, disse Isobel Lawerence, pesquisador da Leeds University. “Eles flutuam na água e seu derretimento não deve ter contribuído para o aumento do nível do oceano. Os outros 46% de água derretida vieram das geleiras e dos mantos de gelo no solo, e eles podem ter aumentado o nível do oceano.”

O resultado do grupo foi publicado 30 anos depois do primeiro relatório de avaliação do IPCC, no final de Agosto de 1990. Isso delineou, em termos rígidos, que o aquecimento global era real e estava sendo desencadeado pelo aumento de emissão de gases de efeito estufa pela queima de combustíveis fósseis.

Apesar dos avisos pelos cientistas, essas emissões continuam e a temperatura global continua a subir. De acordo com números divulgados pelo Met Office semana passada, houve um aumento de 0,14°C na temperatura global entre os décadas de 1980-89 e a década de 1990-99, então 0,2°C aumentou entre cada década seguinte. Essa taxa de aumento pode crescer, possivelmente para 0,3°C por década, já que a emissão de carbono continua nessa trajetória.



Fonte: Anda



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