Denúncia

Terras indígenas e Unidades de Conservação concentram o desmatamento ilegal no país

Compartilhe:     |  27 de junho de 2020

O desmatamento em terras indígenas aumentou 64% nos primeiros meses de 2020, em comparação com o ano passado. É o maior índice em 4 anos.

Dados fornecidos pelo Deter, do INPE, analisados em um relatório publicado pelo Greenpeace, reforçam o alerta de que madeireiros, grileiros e garimpeiros não fazem home office e, pior, essas invasões podem ser a porta de entrada para que o coronavírus chegue nas comunidades indígenas em tempos de pandemia.

Só na região amazônica, a área de desmatamento para garimpos ilegais dentro de terras indígenas aumentou 13,4% no período de janeiro a abril de 2020, em comparação com os mesmos quatro primeiros meses de 2019.

relatório feito pelo Greenpeace reúne registros fotográficos da devastação ligada ao garimpo ilegal em pelo menos quatro áreas federais protegidas, feitos durante um sobrevoo na área realizado em maio.

O relatório mostra os alertas que o sistema Deter recebeu em abril quanto à ocorrência de desmatamento, registrando 24,2% mais alertas do que no mês anterior, e entre janeiro e abril deste ano o aumento dos alertas de desmatamento é de quase 55,5% em relação ao mesmo período de 2019.

Nas Unidades de Conservação (UCs), que são terras públicas, a situação também é alarmante. Os dados apontam um aumento do desmatamento de 172% nos primeiros meses deste ano se comparado ao mesmo período do ano passado.

Terra Yanomami são os povos mais atingidos

Segundo reportagem de Stefânia Costa para o Ecodebate, a terra indígena Yanomami foi a região que mais sofreu destruição ilegal de floresta nos primeiros meses de 2020.

Para piorar, dentre as 10 Áreas Protegidas que mais sofreram pressão por desmatamento, 5 são terras indígenas, Alto Rio Negro (AM), Raposa Serra do Sol (RR), Uaçá I e II (AP) e Kayapó (PA).

Os dados foram publicados pelo Imazon – Instituto Nacional de Pesquisa, sem fins lucrativos, composto por pesquisadores brasileiros que, utilizando um sofisticado Sistema de Alerta do Desmatamento (SAD), realizam o monitoramento e divulgação de dados sobre o desmatamento e degradação da Amazônia Legal, fornecendo mensalmente alertas independentes.

A Terra Indígena Yanomami sofre com o avanço da Covid-19 e pede socorro justamente pela invasão dos garimpeiros, inclusive circula nas redes sociais petição pública “ForaGarimpoForaCovid”.

Ainda segundo a reportagem do Ecodebate, de fevereiro a abril deste ano, o desmatamento foi 216% superior ao ano de 2019, e o Sistema de Alerta de Desmatamento do Imazon detectou um total de 885 km² de desmatamento na Amazônia, sendo 53% das células (raio de 10 km) de desmatamento indicando ameaça –  risco eminente de ocorrer desmatamento e 47% mostraram a pressão – desmatamento efetivo – dentro de áreas de preservação.

Acesse AQUI o relatório completo divulgado pelo Imazon e AQUI os dados atualizados do Prodes.



Fonte: GreenMe - Juliane Isler



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