Espécies em Extinção

TG vai ao Ceará e encontra espécies raras e ameaçadas de extinção

Compartilhe:     |  18 de abril de 2015

O Terra da Gente deste sábado (18/4) chega ao Ceará. Na companhia do repórter Paulo Augusto e do repórter cinematográfico Pedro Santana, o telespectador segue mar adentro em busca de peixes-bois-marinhos e conhece um projeto que tem como missão proteger os filhotes da espécie. No município de Icapuí, é preciso acordar muito cedo para encontrar o “pássaro da lua”, uma ave com fôlego de atleta e tantas horas de voo que fazem inveja a muitos pilotos de carreira. E por falar em aves, a equipe se lança a uma exaustiva caminhada morro acima e também percorre muitos quilômetros de distância para ver o periquito-cara-suja. A espécie ameaçada de extinção ganha nova chance de sobrevivência graças a uma iniciativa que trata de proteger os filhotes em ninhos artificiais. E ainda: o pequeno Marcos, de 10 anos, que encanta os visitantes com um dom muito especial: canta como os passarinhos. Na Hora do Rancho, uma saborosa receita cearense: moqueca de búzios.
TG 852
Nova chance para o peixe-boi-marinho

peixe-boi-marinho (Foto: Paulo Santana/TG)
Peixe-boi-marinho (Foto: Paulo Santana/TG)

 

Nas águas claras, moram gigantes solitários com jeito de peixe e cara de boi. João Batista, pescador experiente, define: “Não é nem peixe nem boi. É um mamífero que vive na água. Dá leite que nem um animal que vive na terra.” E é na praia de Picos, litoral leste do Ceará, que os animais costumam aparecer. Pela condição estratégica, o local se tornou ponto de observação de pesquisadores. Mas para ver os peixes-bois-marinhos de perto é preciso entrar no mar. Para isso, os repórteres do Terra da Gente contam com o pescador Raimundo Oliveira da Silva que leva a equipe cinco quilômetros mar adentro ao encontro do animal.
O pesado peixe-boi-marinho não tem dificuldade para dominar as ondas e fugir. Avistá-lo requer atenção. Depois de alguns minutos navegando pela costa, Oliveira aponta o primeiro exemplar e o repórter Paulo Augusto tenta uma aproximação. Alguns minutos depois, outros peixes-bois aparecem. Sinal de que estão na área. Em aproximadamente 30 minutos, a equipe viu pelo menos oito animais.
Apesar do nome, o animal não tem nada de peixe ou boi. Acreditem, é parente do elefante! Podem chegar a quatro metros de comprimento e pesar até 700 quilos. Mas todo o tamanho não lhes garante sobrevivência. Caçados indiscriminadamente, os peixes-bois enfrentam um problema igualmente preocupante. Impossibilitados de acompanhar as mães, muitos filhotes acabam encalhados na areia. Depois de muito nadar, morrem na praia.
Quando resgatados, os filhotes são encaminhados à Ong cearense Aquasis. Alguns chegam tão pequenos que sequer conseguem nadar. Atualmente, nove filhotes recebem tratamento especial. Os bebezões, cheios de apetite, bebem cinco litros de leite por dia. Também desfrutam um lanchinho à base de alface e couve. Sem data para voltar para a casa, a água salgada com a qual os filhotes têm contato, por enquanto, é apenas a dos tanques.

periquito-cara-suja -Ceará (Foto: Paulo Santana/TG)
Periquito-cara-suja (Foto: Paulo Santana/TG)

 

Pássaro da lua tem fôlego de atleta

No município mais oriental do estado do Ceará, a vida segue no ritmo das ondas. Os barcos são a alegria do lugar e dão nome à cidade de Icapuí, que significa “canoa veloz”. Um dos responsáveis pela construção das embarcações é um experiente marceneiro que diz ter feito um pouco de tudo na vida. Foi até cantor e por causa da música ganhou o apelido de Shalalá. Na marcenaria ao ar livre, à beira do mar, serviço não lhe falta. Shalalá corta, lixa e prega. E aos poucos uma jangada vai tomando forma.
A cordialidade é outra marca do lugar. Nada de cafezinho, que não combina com o calor da região. Vai bem a água de coco que Shalalá traz para a equipe. Neste recanto de tranquilidade, os repórteres esperam o Sol se por, para que a Lua passe a guiar a aventura. Madrugada ainda, os repórteres Paulo Augusto e Pedro Santana estão prontos para sair em busca do “pássaro da lua”. Apesar do nome, a ave não tem hábitos noturnos.
Madrugar realmente vale a pena para encontrar o “pássaro da lua” ou maçarico-de-papo-vermelho. Com fôlego de atleta, a ave migra enormes distâncias entre os hemisférios Norte e Sul, com pouquíssimas paradas. Alguns exemplares, anilhados por pesquisadores americanos, tiveram os trajetos medidos e, de acordo com os estudiosos, as distâncias percorridas pelas aves eram comparáveis às que existem entre a Terra e a Lua. Por isso o nome “pássaro da lua”.
Na companhia do biólogo Alberto Campos, do projeto Aquasis, a equipe do Terra do Gente encontra um pequeno grupo de “pássaros da lua”. Para Campos, as aves estão a um passo de entrar para a lista das ameaçadas de extinção.

periquito-cara-suja (Foto: Pedro Santana/TG)
Ninho para ocara-suja (Foto: Pedro Santana/TG)

 

Casa nova para o periquito-cara-suja

No centro do estado do Ceará, entre os morros imponentes das cidades de Quixadá e Ibaretama, um arco-íris se forma. No fim, não há um pote de ouro, mas algo muito valioso: uma região rica em espécies e boas histórias, como a do canto que já foi muito ouvido, mas hoje é cada vez mais raro. Por essas bandas, dificilmente se ouve o periquito-cara-suja. Mas nem tudo está perdido. Recentemente, uma equipe de biólogos teve o privilégio de ouvir o canto novamente. E fizeram mais: encontraram um ninho da ave.
A equipe do TG acompanha os biólogos até onde foi avistado o último bando de periquitos na região. A caminhada, 200 metros morro acima, leva ao refúgio das aves. Paulo Augusto e Pedro Santana enfrentam um labirinto de pedras, conhecido como Furna da Onça. Um pouco de contorcionismo ajuda a passar entre as fendas. Mas se quiserem chegar ao periquito-cara-suja, precisam escalar encostas escorregadias.
Escondidos nas alturas, os donos da casa não são receptivos e não aparecem para receber visita. O jeito é seguir por mais cem quilômetros de viagem. Mas isso fica para o dia seguinte.
Mal o dia raiou e a equipe do TG já está na estrada. O destino agora é a Serra de Baturité. Depois do asfalto, a estrada de pedras leva ao endereço da tranquilidade. Na pequena Pacoti, o projeto da Aquasis tenta salvar os periquitos-cara-suja.
A espécie faz ninho em troncos de árvores. Não é um construtor e vive de aluguel, esperando que um pica-pau faça um buraco para depois instalar o ninho. No “mercado imobiliário na mata”, o periquito-cara-suja disputa espaço com outras aves, ratos e até abelhas. E sem um lar, não há como criar os filhotes. Foi então que os pesquisadores tiveram a ideia de construir a casa própria dos periquitos.
Em cerca de 40 caixas-ninhos espalhadas pela região nasceram mais de 300 filhotes. Há cinco anos, no início do projeto, a estimativa era que existissem apenas 250 aves. Com os ninhos artificiais, o número dobrou e a ave tem nova chance de sobreviver.

Programa Terra da Gente*
Rua Regina Nogueira, 120 – Jardim São Gabriel – Campinas – SP – CEP: 13.045-900 – Telefones: (19) 3776-6488/ 3776-6460 e 3776-6593.

*O programa Terra da Gente é exibido pelas seguintes emissoras: EPTV (Campinas, Ribeirão Preto, São Carlos e Varginha-MG); TV Diário (Mogi das Cruzes, SP); TV Centro América (Cuiabá, MT); TV Centro América Sul (Rondonópolis, MT); TV Centro América Norte (Sinop, MT); TV Terra (Tangará da Serra, MT); TV Morena (Campo Grande, MS); TV Sul América (Ponta Porã, MS); TV Cidade Branca (Corumbá, MS); TV Asa Branca (Caruaru, PE) e TV Tapajós (Santarém, PA). Sobre dias e horários, consultar a programação da emissora local. O Terra da Gente é exibido também para todo o Brasil, aos domingos, às 7h, via antena parabólica (o canal Superstation da Globo) e para 116 países dos 5 continentes pelo Canal Internacional da Globo.

Fonte: Terra da Gente



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