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Tijolo de rejeito é opção para evitar rompimento de barragem

Compartilhe:     |  1 de fevereiro de 2019

A solução para os impactos ambientais das barragens de rejeito existe e é mais simples do que parece

rompimento de barragens como as de Mariana e Brumadinho causa impactos ambientais e perdas humanas enormes. Os rejeitos da mineração se espalham pela região, matam pessoas, contaminam rios e inviabilizam o uso da água para abastecimento. Além da discussão sobre a segurança das barragens e as técnicas de construção utilizadas, existe outro fator: já existe tecnologia para reciclar os chamados “rejeitos de mineração“.

A Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) foi uma das que desenvolveu tecnologia para usar o material proveniente das barragens de rejeitos para fabricar tijolos e outros materiais para a construção civil. A chamada lama tóxica, segundo explicação do professor titular de engenharia da UFMG Evandro Moraes da Gama, coordenador da pesquisa, é rica em areia e cimento, além do pigmento, o que confere uma coloração interessante aos “tijolos de rejeitos“.

O professor destaca, em entrevista à Rádio Brasil, que esse rejeito é um coproduto bastante rico para a economia mineral e que seria possível gerar circularidade econômica com ele, integrando o que para a mineração são rejeitos na cadeira produtiva da indústria cimenteira. Ou seja, na verdade o melhor termo a ser usado para a lama tóxica da mineração é resíduo, já que o material pode ser recicladoe servir como matéria-prima para a fabricação de tijolos, telhas, blocos, painéis e pisos, por exemplo. Entenda a diferença entre resíduo e rejeito.

Gama destaca que a universidade possui a patente da tecnologia, que conta com uma casa construída com os tijolos de rejeitos desde 2015. Pesquisadores de universidades como a Federal de Lavras (UFLA) e a Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP), além de indústrias como a Alcoa (que estudou a produção de tijolos com resíduo da mineração de bauxita), também realizaram estudos semelhantes.

O professor da UFMG diz que essa já é uma tecnologia consolidada, sendo muito usada em países como a França e a China, que inclusive exposta para o Brasil porcelanato produzido a partir de rejeito de mineração. “O que está estocado dentro da barragem é um produto quando tratado. Se as mineradoras entrassem em acordo com os consumidores de cimento e areia, que são as cimenteiras e indústrias de cimento, teríamos um desfecho para esse rejeito e não seria preciso estocá-los como está acontecendo”, explica.

“As indústrias deveriam conversar entre si e aproveitar a tecnologia que está disponível para transformar o rejeito em economia e não em tragédia“, enfatiza o estudioso. A utilização do tijolo de rejeito tornaria as construções em média 30% mais baratas. A implantação de uma economia circular entre os setores de mineração e construção também dispensaria a necessidade de construir barragensou buscar outras soluções para um coproduto que atualmente é tratado como rejeito.



Fonte: Equipe Ecycle



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