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Toygers: cresce a demanda nos EUA por felinos híbridos

Compartilhe:     |  1 de julho de 2020

Não faz muito tempo que os felinos selvagens estavam associados à ideia de glamour, classe e criatividade. Salvador Dalí trouxe sua jaguatirica para o St. Regis. Tippi Hedren cochilava com leões na sua sala de estar em Los Angeles. O guepardo de Josephine Baker passeava pela Champs-Elysées, com colar de diamantes e tudo. Na época, essas criaturas selvagens eram animais de estimação chiques.

Mas, em meados da década de 1970, uma onda de conscientização e de legislação sobre a proteção da vida selvagem transformou tanto a visão sobre a posse dos grandes felinos quanto a possibilidade de comprá-los legalmente.

Enquanto isso, uma criadora de gatos chamada Jean Mill estava trabalhando numa alternativa mais prática: seu bichinho malhado feito leopardo tinha apenas dez centímetros de altura. Em seu gatil no sul da Califórnia, Mill inventou uma raça de gatos domésticos chamada bengala, que proporcionava aos admiradores de felinos selvagens o melhor dos dois mundos: impecável pelugem de leopardo, tamanho e comportamento de gato doméstico.

Entre eles está Anthony Kao, 50 anos, que cria toygers e outros animais, como papagaios e espécies de corais, no seu gatil Urban Exotic Pets, em Los Angeles. “O principal motivo pelo qual temos essa raça é que podemos satisfazer a curiosidade humana pelo exótico sem um exótico de verdade”, disse ele.

Ligres, beefalos e ursos grolar. Os seres humanos vêm combinando as características favoráveis de um ser vivo com outro há séculos, produzindo criações que vão desde a maçã Honeycrisp ao husky siberiano.

Tais esforços criativos têm gerado – não sem uma grande objeção dos ativistas do bem-estar animal – espécies híbridas, como o beefalo, mistura de boi com búfalo, o ligre, misto de leão com tigre e até o urso grolar (meio pardo, meio polar).

Mas, apesar das aparências, o toyger nada tem a ver com o tigre – pelo menos não mais que os quase 96% do DNA de tigre que há em todos os gatos domésticos. Como seus cromossomos evoluíram de maneira bem diferente desde que as espécies se separaram, 11 milhões de anos atrás, criar um tigre selvagem a partir de um gato domesticado hoje seria uma impossibilidade biológica.

Então, como você consegue que um gato doméstico se pareça com um tigre sem ter ascendência tigresa? “Não temos os genes”, disse Sugden, em sua casa em Los Angeles. “Então, temos que fazer uma coisa meio fake.”

Hoje, os gatinhos toyger podem custar até US$ 5 mil – preço comparável ao de um tigre de verdade no mercado americano. Se os preços parecem altos é porque esses criadores devem cobrir todo o custo de um dono de pet (comida, contas de veterinário, seguro de animais de estimação), multiplicado muitas vezes. Além disso, envolver-se para valer com a evolução genética de uma espécie é um sério investimento.

Os testes de DNA felino que ajudam os criadores (e donos de pet) a fazer exames sobre aspectos ou distúrbios morfológicos custam a partir de US$ 89 por felino. E, para continuar a pesquisa, Hutcherson recentemente trabalhou com um geneticista de gatos, Dr. Chris Kaelin, da Universidade de Stanford, para clonar um de seus gatos campeões, a um custo de US$ 25 mil.

Como cada gatinho é um investimento, os criadores nesse nível tendem a avaliar seus potenciais compradores com tanto rigor quanto um comprador avalia o vendedor. Os contratos geralmente estipulam que o comprador deve castrar seu gato e que nenhum gato acabará num abrigo. Os gatos ainda vêm com uma política de devolução incondicional.

A localização também é um problema: os gatos considerados híbridos, como o bengala, são ilegais em alguns lugares, como Nova York e Havaí. Em Rhode Island, os donos de toygers – por causa da presença bengala em sua linhagem – precisam de uma permissão, assim como os proprietários de jacarés, chimpanzés ou lobos de estimação.

“Existe muita gente neste mundo que não liga para o toyger”, disse Sugden. “Tem muita coisa neste mundo para que ninguém liga. Mas ninguém ligava para a Mona Lisa até descobrirmos a existência da Mona Lisa.”



Fonte: Metrópoles



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