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Tráfico de animais: descubra o que movimenta o mercado da caça

Compartilhe:     |  14 de abril de 2015

Elefantes poderão estar extintos em algumas décadas, disseram especialistas reunidos no final de março em uma conferência em Botsuana, África, que discutiu o declínio alarmante destes animais por causa da caça. Este foi o foco principal, mas a preocupação envolve também outras espécies, como tigres, rinocerontes e tubarões. A questão é: como mudar as forças de mercado que promovem a matança?

O Encontro de Cúpula de Elefantes, realizado no resort de Kasane, no norte do país, reuniu delegações de 32 países, incluindo a China, maior consumidora mundial de produtos derivados dos alvos das atividades do tráfico de animais, que não parecem dar sinais de diminuir.

No caso dos elefantes africanos, a União Internacional de Conservação da Natureza apresentou seus números: a população no continente caiu de 550.000 em 2006 para 470.000 em 2013. O pior quadro ocorre no leste da África, onde a queda foi de 150.000 para 100.000 no mesmo período.

“O objetivo geral deste encontro é assegurar compromissos do mais alto nível político para a proteção efetiva dos elefantes e a redução significativa das tendências de sua caça”, disse na ocasião Elias Magose, do Ministério do Ambiente de Botsuana. “A matança atual é insustentável”.

Se até recentemente partes dos animais serviam para fins supostamente medicinais – pela crença em partes da Ásia de que possuem poderes curativos – o mercado na China mudou de mãos: agora elas se transformam em itens de consumo de luxo comprados por uma parte da população que ganha cada vez mais dinheiro, e que não se preocupa com a origem ou os danos causados à natureza e à biodiversidade por estes produtos.

Na conferência de 2013, na capital Gaborone, 30 países adotaram um conjunto de medidas emergenciais de conservação, incluindo esforços conjuntos contra a caça e o fortalecimento de instrumentos legais contra ela. Não foram observados resultados positivos desde então. A miopia destas decisões não parece levar em conta o simples fato de que se não houver quem comprar não haverá mais matança e tráfico ilegais. Não é uma mudança que vai acontecer no curto prazo porque mudar hábitos requer o estabelecimento de regras de mercado que não existem – ou se existem, deixam diversas brechas, como no caso chinês.

“A suspensão recente de importação de marfim pela China não é nem de longe uma proibição”, diz Grace Ge Gabriel, chinesa que dirige os programas do Fundo Internacional de Bem-Estar dos Animais no país. Entre outros furos, não se aplica a presas brutas, mas apenas a marfim trabalhado, que representa uma fração mínima das importações. O mercado legal das peças em estado bruto “confunde consumidores, estimula a corrupção, fornece oportunidades de lavagem de produtos ilegais e torna a aplicação da lei muito mais difícil”, afirmou artigo recente que teve ampla repercussão, publicado em uma popular média social chinesa.

O artigo lembra que o tráfico de todas as espécies ameaçadas representa um negócio de U$ 189 bilhões por ano. O quilo de marfim é comprado a U$ 100 dos caçadores e vendido no mercado a U$ 2.100.

Mais de 20.000 elefantes são mortos a cada ano, apesar de algum progresso dos esforços contra a caça, e a preocupação crescente de governos, disse na conferência Lamine Sebogo, represente do World Wildlife Fund. O país que hospedou a conferência é considerado um lugar seguro para a espécie, pela estabilidade política e econômica e baixa população.

Governos e grupos de conservação parecem estar acordando para a realidade. Este ano, a cúpula discutiu principalmente a imensa demanda que conduz ao crime. Os delegados presentes enfatizaram a necessidade do entendimento das forças de mercado. “Não há qualquer foco na demanda”, diz Gabriel. “Podemos investir todo o dinheiro na repressão à caça ilegal, mas se não mudarmos o comportamento do mercado não criaremos um impacto”. Os olhos estão voltados para a China que, além do marfim, movimenta o comércio de partes de tigres, chifres de rinocerontes, barbatanas de tubarões e pangolins.

Isto é consequência fundamentalmente da compra de itens de luxo e da cobiça, segundo Adam Roberts, da organização Born Free USA. “Os praticantes de medicina tradicional se tornam menos importantes e os produtos da caça e importação estão agora nas mãos do grande negócio”.

Uma esperança reside no fato de que a ignorância é fator de peso no comportamento do mercado. Pesquisa feita na China pelo Fundo Internacional de Bem-Estar dos Animais mostra que 70% dos respondentes não sabem que marfim vem de elefantes. “Ainda, descobrimos que 87% destas pessoas não comprariam se soubessem”, conta Gabriel.

Se não houver demanda o mercado vai sumir, e se sumir não há necessidade de caça, afirma Roberts. De fato. Mas para algumas espécies, como os rinocerontes, o tempo é curto.



Fonte: ANDA - National Geopraphic Brasil



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