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Tristeza é emoção, depressão é doença e tem tratamento; saiba como ajudar

Compartilhe:     |  14 de setembro de 2014

O suicídio de famosos como o ator Robin Williams, morto há um mês, reforçaram a importância da campanha de prevenção ao suicídio promovida pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Uma das principais causas de morte entre jovens de 15 a 25 anos e também muito comum em idosos, o suicídio normalmente é resultado de uma depressão não diagnosticada e por isso não tratada.

A média de suicídios no Brasil chega hoje a 28 por dia. Dados do SUS indicam um aumento de mais de 700% no número de mortes motivadas por problemas de saúde decorrentes da doença depressiva nos últimos 16 anos: foram 58 pessoas em 1996 contra 467 em 2012, com maior ocorrência entre pessoas com mais de 60 anos.

A principal dificuldade no diagnóstico e tratamento da depressão, segundo especialistas é o preconceito e a mistura que se faz com o sentimento de tristeza. Dr. Teng, coordenador do serviço de pronto-socorro do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da USP relata a diferença de intensidades e de prejuízos causados pelo sentimento de tristeza e pela doença depressiva.

Tristeza

A tristeza causa uma disfunção muito localizada, que fica limitada pela contingência que provocou a emoção. É claro que é comum que uma frustração ou uma perda em algum aspecto influencia na maneira como a pessoa vai viver, mas fica muito desenhado qual o motivo do sentimento. Geralmente a tristeza vai diminuindo e, quando bem trabalhada, ganha um tamanho cada vez menor no dia-a-dia até que a pessoa consiga voltar a sentir prazer e conforto em todos os aspectos, de maneira espaçada, até voltar à normalidade.

Depressão

Na doença depressiva a tristeza não está ligada a apenas um aspecto da vida. Isso significa que os prejuízos atingem vários setores: o indivíduo perde o interesse e prazer pelas atividades e pelas relações de maneira geral. O desânimo faz com que se sofra demais e se tenha dificuldade de se envolver positivamente com o trabalho, com a família e com os amigos. Além disso, a depressão não é marcada apenas por uma tristeza muito profunda ou prolongada, ela causa dificuldade de sono e de regular o apetite (seja por excesso ou por escassez), com concentração e memória prejudicados. Ela tem caráter genético, crônico e se manifesta em ciclos de melhora e piora. A pessoa deprimida costuma ter muitos pensamentos negativos de culpa e chega a ter vontade de morrer.

Primeiros sintomas

Não há exames para detectar a depressão. Os primeiros sintomas se manifestam por meio do pensamento e surgem como desânimo, humor deprimido, ideias pessimistas, sentimento de inutilidade, baixa estima, sensação de fracasso, inferioridade, sentimento de culpa, de pecado e autorrecriminação.

Doenças associadas

A depressão é a precursora de outras doenças como hipertensão, o câncer, o diabetes de tipo 2 e doença metabólica que leva à obesidade. Além disso, a doença depressiva se torna fator de risco para infarto agudo do miocárdio e acidente vascular cerebral.

— A depressão leva à piora do autocuidado com a saúde, além da sua forte relação com os sistemas imunológicos, nervoso e endócrino — diz a psiquiatra Alexandrina Meleiro, do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo.

A doença também se reflete nas relações de trabalho e é o principal motivo de afastamento por doença. Segundo o Instituto Nacional de Seguro Social, em 2013, 61.044 brasileiros tiveram licença pela doença.

 

Tratamento começa com o fim do preconceito

Seis em cada dez latinos que sofrem de depressão não recebem suporte para tratamento. Os dados da OMS comprovam uma clara dificuldade em se diagnosticar e cuidar das pessoas com doença depressiva.

— Costuma-se logo chamar de louco o doente depressivo. A questão é que o conceito de loucura não se aplica em medicina. Os transtornos que levam um indivíduo à depressão não são questão de personalidade, mas biológicas, químicas e psicosomáticas — explica o Dr. Frederico Navas, ligado ao Instituto de Psiquiatria da USP.

Independente de haver uma depressão aguda ou crônica, a depressão pode ser uma tendência genética ou uma condição atingida por excesso de estressores durante a vida e às formas com as quais o indivíduo lida com eles. Segundo o médico, confundir as atitudes de uma pessoa deprimida com traços de personalidade atrapalham no reconhecimento e no tratamento da doença. Para ele, o principal é não atribuir a depressão a algo que tenha acontecido ou a uma fraqueza da pessoa.

— Dizer coisas como “você precisa reagir” ou “você precisa se ajudar” podem produzir o efeito contrário ao ânimo que se quer levantar. A sensação de culpa que se cria pode piorar os sintomas e deixar o quadro ainda mais perigoso — alerta o psiquiatra.

O médico recomenda que os amigos ou fmailiares que estão percebendo o desenvolvimento de um quadro depressivo em algum ente querido devam agir da seguinte maneira:

– Não desenvolver uma conversa sobre culpados: o depressão é uma doença de causa difícil de diagnosticar;

– Encarar o problema de frente: dizer que se percebeu que a pessoa está precisando de ajuda porque está deprimida;

– Oferecer ajuda: levar a pessoa ao médico é a melhor estratégia;

– Caso o indivíduo não reconheça a doença: procurar um clínico ou um ginecologista, no caso das mulheres, que possa atender e ajudar a apontar o diagnóstico e indicar um especialista.

A tearapia com profissionais especializados e a medicação levando em consideração o nível de depressão são os tratamentos mais recomendados pelos especialistas. Segundo Dr. Frederico, mesmo que não complete o suicídio, o indivíduo deprimido perde qualidade de vida e tem a diminuição de sua expectativa de vida.

A Associação Brasileira de Psiquiatria e a Associação Brasileira de Familiares, Amigos e Portadores de Transtornos Afetivos são alternativas de tratamento para quem não conseguir realizar o acompanhamento pelo SUS.



Fonte: Extra - Luiza Toschi



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