Trilhas da Paraíba

Triunfo

Compartilhe:     |  23 de janeiro de 2021

O município de Triunfo, localizado no Sertão Paraibano, na microrregião de Cajazeiras, limita-se com o Estado do Ceará e com os municípios de Santa Helena (17km), São João do Rio do Peixe (25km), Poço de José de Moura (11,5km), Santarém (32km) e Bernardino Batista (15km). A temperatura média anual desse município oscila em torno de 27°C. Apresenta uma vegetação de Caatinga com presença de Oiticica.

História

A comunidade, a exemplo do que caracteriza o homem nordestino, é dona de um grande patrimônio cultural legado pela própria história desse povo, possuidor de exuberante potencial natural que se presta ao turismo ecológico e de aventura, o município começa agora a vislumbrar grandes perspectivas de futuro, aliando esse potencial à vontade política da sua atual administração e a criatividade e perseverança do seu povo, finalmente começa a se construir as saídas para os problemas que enfrenta e que até então se imaginavam crônicos.

A fundação de Triunfo

Um fato religioso de grande importância ocorreu na história de Triunfo em 1864, quando houve uma epidemia de cólera em toda a região. Um beato, conhecido como Caboclo Manoel Bernardo temendo que a doença atingisse a localidade recorreu ao Menino Deus e fez uma promessa de que se o lugarejo fosse poupado daquela calamidade, ele ergueria uma pequena capela e celebraria a sua festa, anualmente, de 15 a 25 de dezembro, com um novenário, fogos e festejos.

Como tendo conseguido alcançar a graça, Caboclo Manoel saiu pelas redondeza pedindo esmolas e levantando fundos para a construção que foi imediatamente iniciada. Após construída a pequena capela logo surgiram em volta residências e prédios comerciais que hoje formam o centro de Triunfo.

A Igreja Matriz do Menino Deus passou por várias reformas e é hoje uma das mais belas do Sertão paraibano. A festa do Menino Deus é mantida tradicionalmente há mais de cem anos e atrai visitantes de toda a região que aqui vem para, juntamente com a população local pagar suas promessas, com vestimentas cor de rosa, assim como é vestida tradicionalmente a Imagem do Menino Deus, vinda de Roma, no inicio do século passado.

Dentre os rituais que caracterizam a festa do Padroeiro, há a apresentação durante as nove noites de novena, de músicos, que adentram a Igreja conduzindo a “Procissão do Ramo”.

A partir da década de 50, incorporou-se a esse ritual a participação da Banda Cabaçal. Trata-se de manifestação artística de caráter popular trazida por remanescente de um quilombo de Pombal, que no ano de 1951, por questões ligadas a conflitos envolvendo a propriedade da terra, migraram para o Triunfo e aqui chegaram em número de 40 pessoas, e que ficaram conhecidos na localidade como os negros dos 40. Esse fato é de grande importância para a história de Triunfo porque a incorporação desse povo à vida da comunidade veio acrescentar valores de ordem cultural, econômica, social e humana.

Emancipação Política

A luta pela emancipação política do município de Triunfo teve o seu ponto alto a partir de uma reunião realizada no dia 31 de agosto de 1959, na residência do Senhor Joaquim Moreira da Silva (localizada na Rua hoje denominada Sete de Setembro), tendo à frente o então Deputado Estadual Acácio Braga Rolim e com a presença de diversas personalidades locais, destacando-se os Senhores Joaquim Moreira da Silva, Raimundo Donato de Oliveira (vereador à época), Antônio Adriano de Andrade, Raimundo de Moura Mouzinho e Francisco Mangueira de Andrade, que integraram a comissão responsável pela delimitação geográfica do novo município e assumiram os trabalhos burocráticos e a articulação política, que culminaram com a nossa independência político administrativa, por força de Lei nº 2.637 de 20 de dezembro de 1961, sancionada pelo então Governador Pedro Moreno Gondim, sendo o município instalado oficialmente em 22 de dezembro, data em que se comemora o dia da cidade.

Triunfo e suas manifestações culturais

A formação da identidade cultural de um dado grupo social se da a partir de sua experiência relativa ao convívio, ao meio ambiente em que se insere, as condições materiais nas quais sobrevive e, finalmente, das influencias externas recebidas, uma vez que a necessária mobilidade humana é inegável. Desse amálgama, os elementos que mais se identificam se tornam mais fortes e cristalizam-se, flutuando os demais numa dimensão que liga a já constituída tradição aos valores universais da cultura.

Assim, nenhuma caracterização de cultura local pode deixar de realçar seus traços fundamentais, é claro, porém, também não pode deixar de compreender as generalidades que lhes são adjacentes.

Triunfo, como grupo social politicamente individualizado, também tem fatores particulares de cultura que lhe atribui uma identidade perfeitamente articulada com a dimensão regional, plural, e porque não dizer, universal.

Nos seria aqui impossível elencar a variedade de expressões que constituem nossa cultura, porém, o espaço permite que ressaltemos o que consideramos de mais significativo entre tantas que nos orgulham.

A Festa do Menino Deus

As razões para que o Menino Deus tenha sido “eleito” padroeiro do Triunfo, o caro leitor vai conferir nas paginas dedicadas a memória do município, neste site.

O que caracteriza suas comemorações, de 15 a 25 de dezembro, como uma tradição cultural nossa, está, além de sua origem, na liturgia religiosa e social instituída desde a fundação do templo do Menino Deus.

A festa religiosa compõe-se de um novenário cujo inicio é marcado pelo asteamento da Bandeira do Menino Deus, no átrio da Igreja, a 15 de dezembro e, a cada noite de novena, uma das famílias tradicionais, oriundas da fundação da cidade, ou posteriormente incorporadas, dado sua importância social, responsabiliza-se pelas homenagens ao Padroeiro, o que gera uma certa “concorrência” pela homenagem mais bonita. São os chamados noitários.

As novenas são iniciadas com o ritual religioso tradicional e o encerramento se dá com a condução, até o altar, do ramo (ramalhete de flores ricamente decorado), acompanhado ao som de um grupo de músicos tradicionais da cidade, conforme a promessa originalmente feita (ver matéria sobre a origem da cidade). O principal instrumento, a rabeca, até bem pouco tempo era tocada por Acácio, lendária figura triunfense, hoje com quase cem anos, que por limitações físicas, não participa mais das homenagens.

A partir da década de 50, incorporou-se a esse ritual a participação da Banda Cabaçal. Trata-se de manifestação artística de caráter popular trazida por remanescente de um quilombo de Pombal, que no ano de 1951, por questões ligadas a conflitos envolvendo a propriedade da terra, migraram para o Triunfo e aqui chegaram em número de 40 pessoas, e que ficaram conhecidos na localidade como os negros dos 40. Esse fato é de grande importância para a história de Triunfo porque a incorporação desse povo à vida da comunidade veio acrescentar valores de ordem cultural, econômica, social e humana.

O ponto culminante da novena é a queima de fogos de artifício, aliás, momento de rara beleza, seguindo-se então a parte profana da festa.

Dentro das tradições, o uso do rosa durante o mês de dezembro, e notadamente de 15 a 25 do mês, é não só sinônimo de fé, como também o ponto alto da cultura natalina triunfense. Refere-se a promessas pagas e constituem-se num complexo ritual em que cada caso é uma história de vida.

A festa do Menino Deus encerra-se a 25 de dezembro, com grande evento religioso e profano, renovando a cada ano a fé do povo triunfense e as tradições que sedimentam a formação de sua identidade.

A Banda Cabaçal

O elemento negro na composição social triunfense é algo singular. Como a nossa região à época da escravatura não fosse de grande importância demográfica ou econômica, comparada com outras regiões do Brasil, a presença do escravo foi quase inexistente, sendo assim a participação do negro na composição racial local se deu de forma bastante indireta, porém, nos anos 50, 1951 para ser mais preciso, aportou no município de Triunfo 40 descendentes diretos de um quilombo que existiu no município de Pombal e, aqui se estabelecendo, constituiu-se na grande contribuição do povo d’áfrica para a formação de nosso patrimônio humano e cultural.

Das expressões culturais a mais importante é a Banda Cabaçal, uma das duas únicas existentes em solo paraibano. Guardando as características principais, a banda é uma referencia viva do povo negro e da valiosa contribuição que deu para a formação da identidade brasileira. Suas apresentações em diversos eventos realizados em toda a Paraíba

Semana Santa

As comemorações relativas ao calvário de Cristo guardam traços comuns em nossa região, porém no município de Triunfo algumas singularidades caracterizam essa importante data do calendário cristão. Pratica-se ainda em nossa comunidade a distribuição do pão em forma de peixe e ainda circulam nas ruas grupos de pessoas mascaradas e tipicamente vestidas, aqui denominadas “caboclos”, que representam os algozes de Cristo, popularmente chamados de “judeus”, no caso nenhuma referencia ao povo Judeu, mas uma corruptela da expressão, querendo significar “aqueles que judiaram (quer dizer, maltrataram), a Jesus”.

São acompanhados por bandas de musicas que tocam ritmos regionais e arrecadam donativos em alimentos, dinheiro e etc., e tem suas atividades iniciadas na segunda-feira e encerradas no sábado com a malhação de Judas. É tradicional ainda o carteado (sueca), da sexta santa para o sábado de aleluia, além das encenações da paixão e morte de Jesus.



Fonte: Famup - Site Oficial de Triunfo - Hobrasil



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