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Um dos maiores moluscos do mundo agoniza nas águas do Mediterrâneo

Compartilhe:     |  27 de janeiro de 2019

O molusco Pinna nobilis, um dos maiores do mundo, está ameaçado. A espécie é vítima de um parasita identificado há três anos na costa espanhola. O crescimento dessa “praga aquática” é favorecido pelas mudanças climáticas.

O desastre não é visível na superfície do Mediterrâneo. Mas, nas profundezas, há um campo de moluscos vazios amontoados, meio cravados na areia. Quando morre, o Pinna nobilis escurece, perde a carne e seus pequenos anfitriões naturais, como camarões e pequenos caranguejos.

“Não encontramos mais nenhum vivo, é uma pena”, disse Olivier Jude, mergulhador que faz sessões de fotos submarinas.

‘Situação profundamente alarmante’

Lidwine Courard, membro da associação “NaturDive” em Cannes, no sul da França, compartilha da mesma preocupação de Olivier: “As primeiras mortes aqui, na costa Azul, datam de outubro […] Há quem diga que talvez seja o início da extinção de outras espécies”.

Pinna nobilis é considerado um indicador da qualidade do litoral mediterrâneo. A concha registra, durante o crescimento, todos os parâmetros físicos e químicos do entorno.

Espécie de molusco é uma das maiores do mundo  — Foto: Boris Horvat/AFP

Espécie de molusco é uma das maiores do mundo — Foto: Boris Horvat/AFP

“A situação é profundamente alarmante”, disse María del Mar Otero, especialista do Centro de Cooperação para o Mediterrâneo da União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN).

María atualiza periodicamente um mapa sobre a espécie desde o início da crise. Ele está repleto de pontos vermelhos que correspondem às altas taxas de mortalidade, superiores a 85%. A costa espanhola do Mediterrâneo está muito afetada, assim como as ilhas Baleares, o sul do Chipre, uma parte da costa turca, a Sicília e a Grécia.

“Na Espanha, esta espécie está a ponto de desaparecer. E com o aumento da temperatura da água nos próximos meses, veremos o que acontece nas zonas que ainda não estão afetadas, como o Adriático”, acrescenta María.

Ainda não se sabe como o minúsculo protozoário que ataca o Pinna nobilis chegou, nem como ele é transmitido. Uma das hipóteses é que tenha chegado ao Mediterrâneo com o lastro dos navios de comércio.

Para o biólogo marinho Nardo Vicente, do Instituto de Oceanografia Paul Ricard, o mais provável é que a causa sejam as mudanças climáticas.

“Há um monte de germes, de vírus, de parasitas em estado de latência no entorno em que atuam” devido ao aumento das temperaturas, disse.



Fonte: G1 - Por France Presse



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