Trilhas da Paraíba

Um passeio doce pelas trilhas da “Terra dos Canaviais”

Compartilhe:     |  28 de junho de 2020

Um município que dispõe de uma excelente vocação turística, Santa Rita oferece uma variedade imensa de opções ao visitante, a exemplo do turismo religioso, já que a cidade dispõe de um importante conjunto  de capelas e igrejas seculares, a começar pelo Santuário de Santa Rita de Cássia.

No turismo ecológico, o município tem um rico arquipélago de ilhas estuarinas, que fica nas imediações do distrito de Forte Velho, o segundo núcleo de povoamento mais antigo da Paraíba. Nas ilhas de Tiriri, Stuart, Restinga, Andorinhas, que ficam no estuário do rio Paraíba, se destacam diversos tipos de ecossistemas, como manguezal e resquícios da mata atlântica e de restinga, além de praias fluviais.

A Ilha Stuart, por exemplo, tem como patrimônio histórico esquecido o “cemitério inglês”, praticamente soterrado pela areia e inundado pelas águas. Segundo comentários de ribeirinhos, ali eram enterrados os anglicanos renegados pela igreja. Já na Ilha Tiriri ainda podem ser vistas ruínas da primeira fábrica de cimento da América Latina, no século XIX, devido à existência abundante, na época, de pedra calcária. Segundo revela Sildo Alves de Morais, especialista em Educação Ambiental e graduado em História, a região tem ainda como destaque o Mirante do Atalaia, entre as comunidades de Livramento e Forte Velho, além da praia fluvial de Ribeira.

Na terra que foi berço de André Vidal de Negreiros, Santa Rita, nascido em 1608, existem também grutas e cavernas, ou seja, cavidades de formação arenítica, a exemplo da Caverna dos Índios, localizada no extremo Sul de Santa Rita, nas proximidades do rio Mumbaba, próximo à divisa com João Pessoa. Outro destaque é o Balneário das Águas Minerais, no bairro do Açude, na sede do município.

Sildo informa que o município resgatou, no último triênio, um forte elemento cultural e turístico, que foi o Festival de Quadrilha Junina, tornando Santa Rita a Capital das Juninas, ganhando destaque no cenário brasileiro, pois os estados da Região Nordeste participaram do evento, no ano de 2019, com seus grupos de quadrilheiros. “Em Santa Rita pode-se explorar ainda o turismo ligado à agricultura familiar, nas regiões norte e sul do município, além do turismo em torno das ruínas das usinas e engenhos, bem como a nossa excelente gastronomia”, reforça.

O advogado Severino Celestino Filho, empresário da área de transporte e turismo rodoviário, defende a ideia de implantação de um projeto que explore o potencial turístico de um possível circuito da cana-de-açúcar e das águas minerais de Santa Rita. “Uma ideia que trago comigo é a de procurar os secretários de Turismo do Estado e de Santa Rita, os proprietários das usinas, engenhos e das indústrias de envasamento de água mineral, para formatar um projeto que viabilize a venda de pacotes de turismo para impulsionar um grande potencial a ser ainda explorado na “Terra dos Canaviais”. Esse tour turístico pode também melhorar a divulgação e venda de produtos da terra, como o artesanato e a gastronomia”, explica.

Segundo relata Celestino, o roteiro iniciaria com a coleta de turistas nos hotéis de João Pessoa, passaria pelo Engenho do Meio, uma referência histórica da primeira metade do Século XIX, seguindo para a usina Santana, atual Agroval, indo até as ruínas da usina Santa Rita.  “Em seguida, o roteiro passaria pela sede do município, indo até as águas minerais, principalmente a Indaiá e a Itacotiara, as duas de maior vitalidade, e depois seguindo para a usina São João, onde se faria uma visita às dependências da indústria, num passeio guiado pelas áreas de produção”, detalha.

Vocação econômica – O município de Santa Rita é quarta maior economia municipal do Estado, possui base produtiva nos setores industrial, agrícola e comercial.  Possui uma das maiores extensões territoriais do Estado da Paraíba (726 km²), sendo a terceira maior em população (136.586 hab.).

No setor agrícola, o município se destaca na produção de cana-de-açúcar, um processo de transformação que dá origem ao álcool e açúcar, por meio das indústrias Japungú, Miriri, Agroval e São João. Ainda é destaque a produção de abacaxi, macaxeira/mandioca, inhame, batata doce, feijão verde, milho, coco, manga, melancia, banana, mamão, entre outros produtos geralmente produzidos pelos agricultores familiares, que comercializam nas feiras livres ou repassam para a figura dos atravessadores.

Sildo Alves de Morais, que até pouco tempo foi secretário de Agricultura, Pecuária, Pesca e Abastecimento de Santa Rita, explica que o município no triênio (2017/2018/2019) deu ênfase à produção da piscicultura e carcinicultura, criação de Tilápia e camarão em viveiros escavados, saindo a Tilápia de uma produção de 4 toneladas no ano 2016, para 23,5 toneladas em 2018, resultado de cursos realizados em parceria entre a Secretaria de Agricultura do Município e o Departamento de Sistemática e Ecologia do Centro de Ciências Exatas e da Natureza da UFPB (CCEN/UFPB).

“Santa Rita dispõe de uma excelente produção de mandioca de mesa (macaxeira), o que motivou seu ingresso, juntamente com vários outros municípios da Região da Mata Norte e organizações dos governos federal e estadual, na equipe técnica que elaborou o Plano de Desenvolvimento do Arranjo Produtivo Local da Mandiocultura no Estado da Paraíba, com foco no melhoramento da produção, comercialização, transformação em produtos de maior valor agregado”, complementa.

No setor industrial, o município passa por um momento de estagnação, pois algumas indústrias fecharam suas portas, outras reduziram o quadro de colaboradores, para garantir sobrevivência diante da crise política e econômica nacional gerada entre os anos de 2016 e 2017. Na realidade, vários segmentos do setor industrial foram afetados, gerando uma massa de desempregados.

Segundo esclarece Sildo, um setor que cresceu no município, nos últimos cinco anos, foi o de comércio e serviços, com a abertura de grandes redes de lojas, nas áreas alimentícias, vestuários, calçados e eletrodomésticos, tornando o setor mais atrativo, e provocando uma redução no fluxo de compra no comércio da Capital do Estado.

“O município de Santa Rita dispõe de requisitos atrativos para o seu crescimento em um futuro próximo, nos segmentos Industrial, agrícola, comercial e de serviço. Temos uma excelente extensão territorial, água abundante superficial e subterrânea, malhas viárias em perfeitas condições e mão de obra disponível e qualificada. Acredito no potencial do município e no seu crescimento”, afirma o especialista, que tem MBA em Gestão Pública.

Meio ambiente – O município de Santa Rita apresenta uma das maiores riquezas em águas superficiais do Estado da Paraíba. São vários rios e riachos com regime de escoamento perene, além de lagoas e açudes. Entretanto, esses cursos de água sofrem ações continuadas de degradação, provocando sérios desequilíbrios em seus ecossistemas. “Destaco aqui três rios que têm grande importância para o município, nos aspectos econômico, social e ambiental, pois impulsionam o funcionamento da indústria e comércio, abastecem com água potável comunidades inteiras dos municípios de João Pessoa, Bayeux, Santa Rita e Cabedelo. São os rios Paraíba, Tibiri, Gramame e Mamuaba. Esses rios cortam o município, e sofrem em todos os seus cursos ações antrópicas, tais como extração de minérios, desmatamento de vegetação ciliar, lançamento de águas residuais, lançamento de resíduos sólidos, desvio do curso natural, entre outras ações. É perceptível a perda de volume de água nesses rios resultado do assoreamento”, lamenta o ambientalista.

Na opinião de Sildo Morais, Santa Rita ao longo das duas últimas décadas vem, aos poucos, perdendo a sua cobertura vegetal para a produção agrícola e construção de empreendimentos, algo bem perceptível nas áreas Norte, com mais frequência, e Sul do município. É possível verificar-se ralas franjas às margens das BR-101 e 230. “Há outros pontos de observação da retirada de Mata Atlântica ou vegetação secundária, nas proximidades das comunidades rurais de Lerolândia, Bebelândia, Distrito de Livramento e comunidade de Tibirizinho. Quanto à questão dos manguezais é perceptível o avanço de construções de moradias próximas dos cursos de água, fazendo a retirada da vegetação”, conclui.



Fonte: Jornal A União - Alexandre Nunes



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