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Um plano para transformar metade de planeta em reserva natural

Compartilhe:     |  7 de abril de 2020

A medida que a humanidade expande seu domínio sobre a natureza, vai desmatando e poluindo o meio ambiente, queimando florestas, contaminando os oceanos e ameaçando outras espécies. Paralelamente, um número crescente de cientistas e ambientalistas influentes defendem a proposta de que metade da superfície terrestre seja transformada em reserva natural. A medida seria necessária para que o planeta continue a ser habitável no futuro.

Esta proposta ganhou espaço pela primeiroa vez em 2016 quando o renomado biólogo E.O. Wilson, com 90 anos na época, publicou esta ideia em seu livro Half-Earth: Our Planet’s Fight for Life.

O que no início foi considerada uma aspiração irreal, está se tornando uma ideia fundamental para muitos especialistas, não apenas para proteger a biodiversidade mas para combater as mudanças climáticas que ameaçam nossa existência.

O risco envolve espécies e ecossistemas em todo o mundo. A humanidade depende de uma série de serviços ambientais, como água e ar limpos e condições climáticas, que estão profundamente ameaçados justamente pela atuação do homem no planeta.

rio pinheiros poluição

Poluição no Rio Pinheiros, em São Paulo. Foto: iStock

Caminho sem volta

Muitos cientistas alertam para o fato de que o impacto gerado pelo homem na Terra pode ter chegado a um ponto em que a recuperação se torne impossível, o que levaria a um cenário de mudanças climáticas e biológicas generalizadas e devastadoras.

O ambicioso projeto de transformar metade de planeta em reserva natural, protegendo e recuperando ecossistemas em grande escala é defendido por um grupo cada vez maior de pessoas e organizações.

Wyss Campaign for Nature está trabalhando com a National Geographic Society para apoiar o chamado movimento “30×30”, uma iniciativa bastante audaciosa de proteger 30% da superfície terrestre até 2030. A organização Nature Needs Half é mais incisiva e defende que 50% do planeta esteja protegido até 2030.

O Parlamento Europeu se comprometeu a proteger 30% do território da União Europeia, restaurar os ecossistemas, incluir objetivos de preservação da biodiversidade em todas as políticas da União Europeia e destinar 10% da sua verba para a conservação.

Nos Estados Unidos, políticos que trabalham com organizações de conservação criaram recentemente uma resolução para conseguir apoio para a proteção de pelo menos 30% das áreas terrestres e marinhas do país. A estimativa é que uma área do tamanho de um campo de futebol seja desmatada nos Estados Unidos a cada 30 segundos.

Objetivos mundiais

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Foto: Divulgação | Banco Mundial

As atenções estão voltadas para a Convenção sobre Diversidade Biológica (CDB), um tratado da Organização das Nações Unidas que vai elaborar um plano de 10 anos destinado à biodiversidade.

Na reunião realizada em 2010, foi solicitada a proteção de 17% da área terrestre do planeta e de 10% dos oceanos em 2020. Este objetivo não foi alcançado: atualmente 16% da superfície terrestre é protegida e menos de 8% dos ecossistemas marinhos estão sob proteção.

Neste contexto, para se chegar a porcentagem de áreas destinadas a reservas naturais em 2030 seria necessário praticamente duplicar as proteções terrestres e quadriplicar as áreas protegidas nos oceanos na próxima década. Um desafio e tanto, principalmente com alguns países, como Estados Unidos e Brasil, indo justamente na direção contrária.

Questões sociais e econômicas

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Foto: Marcelo Camargo | Agência Brasil

A proteção de grandes áreas inclui um grande número de pessoas que habitam estes locais e esta questão social precisa fazer parte de qualquer planejamento neste sentido. Especialistas defendem que é possível manter os ecossistemas sem necessariamente excluir comunidades, com mudanças no modo de vida dentro destas áreas.

Vale lembrar que novas pandemias são previstas caso a humanidade continue a degradar o meio ambiente, alterando um equilíbrio bastante delicado. A medida que as pessoas entram em áreas isoladas ou se alimentam de animais selvagens, por exemplo, entram em contato com microrganismos com os quais nunca tiveram contato e para os quais não possuem defesas naturais.

Uma parte fundamental para garantir a proteção de grandes áreas do planeta é a demarcação de terras indígenas e o respeito às demarcações já existentes. Segundo o IPBES (Intergovernmental Science-Policy Platform on Biodiversity and Ecosystem Services), os povos indígenas ocupam 28% das terras do planeta, e 40% das áreas protegidas do mundo.

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Fonte: CicloVivo - Natasha Olsen



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