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Uma das aves mais raras do mundo está mais ameaçada do que se pensava

Compartilhe:     |  19 de agosto de 2020

Um estudo liderado por pesquisadores da Universidade Nacional da Austrália mostra que, mesmo após décadas de esforços, preservar o periquito-de-ventre-laranja, um dos pássaros mais raros do mundo, ainda é um desafio.

Por muitos anos, iniciativas de preservação na área de reprodução do animal, na Tasmânia, conseguiram aumentar as taxas de procriação da ave na natureza. Ainda assim, 80% dos periquitos-de-ventre-laranja jovens nascidos em seu único criadouro da região morrem durante o período de migração e de inverno.

“Nossos resultados são muito preocupantes”, disse Dejan Stojanovic, autor principal do artigo publicado em maio na Emu: Austral Ornithology, em comunicado. “Descobrimos que, ao longo do tempo, a sobrevivência das aves juvenis caiu de 51% em 1995 para apenas 20% nos últimos anos.”

Para chegar a essas conclusões, os pesquisadores usaram dados coletados ao longo de 22 anos pelo Departamento de Indústrias Primárias, Parques, Água e Meio Ambiente (DPIPWE) da Tasmânia.

“Embora mais periquitos-de-ventre-laranja nasçam na natureza como resultado dos esforços de recuperação na Tasmânia, esses benefícios são reduzidos por ameaças durante a migração e o inverno, que não são identificadas ou abordadas”, afirma Shannon Troy, bióloga, coautora da pesquisa e líder do programa de preservação do periquito-de-ventre-laranja da DPIPWE.

Os cientistas suspeitam que as maiores dificuldades encontradas pelas aves sejam no trecho de migração do Estreito de Bass, que separa a ilha da Tasmânia do restante da Austrália. Com um bando reduzido de aves, os periquitos-de-ventre-laranja sofrem durante a travessia e, no inverno, tem dificuldade de encontrar abrigo no estado de Victoria.

“Determinar por que os pássaros não sobrevivem à migração e ao inverno é parte da solução para prevenir a extinção, que pode ser inevitável a longo prazo se esses problemas não puderem ser resolvidos”, afirma Troy.

Os periquitos-de-ventre-laranja estão criticamente ameaçados, ou seja, na última etapa antes da extinção. Em 2016, por exemplo, apenas três fêmeas conseguiram retornar aos criadouros após a migração. Mesmo que a quantidade tenha aumentado nos anos seguintes, chegando a 13 fêmeas em 2019, o tamanho total da população dessa espécie é muito pequeno.

“A Austrália tem uma das piores taxas de extinção do mundo e nosso estudo mostra que corrigir décadas de declínio populacional de papagaios-de-barriga-alaranjada é extremamente difícil e, apesar de nossos melhores esforços, pode não ter sucesso”, afirma Stojanovic. “Esperamos que nosso estudo incentive outros a pensarem holisticamente sobre a maneira como implementamos esforços de conservação para espécies migratórias, de modo que um bom trabalho feito em um momento e lugar específico não seja desfeito quando os animais migram.”



Fonte: Revista Galileu



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