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União Europeia confirma proibição de pesticidas prejudiciais às abelhas

Compartilhe:     |  22 de maio de 2021

No início de maio, a Suprema Corte da União Europeia manteve a proibição de três pesticidas em algumas culturas (milho, canola e cereais). A decisão confirma a proibição de um tribunal europeu em 2018, que a Bayer tentou anular com um recurso apresentado pela empresa.

A proibição envolve três substâncias ativas – imidacloprida desenvolvida pela Bayer CropScience, clotianidina desenvolvida pela Takeda Chemical Industries e Bayer CropScience, e tiametoxam da Syngenta. As substâncias são conhecidas como neonicotinoides e estão ligadas à morte de abelhas.

Um porta-voz da Bayer defendeu a segurança dos produtos, que continuam a ser usados ​​em outros países, como o Brasil. A empresa afirma que não existem comprovações científicas que justifiquem as restrições.

Apesar de proibidas, estas substâncias tiveram o seu uso emergencial autorizado 206 vezes na União Europeia, entre os anos de 2013 e 2019. Auditores afirmaram que, em 2020, o uso de pesticidas, mesmo sendo ilegal, levou à morte em massa das polinizadoras.

A decisão da Suprema Corte foi pautada justamente em relatos de perdas de colônias de abelhas, ligadas ao mau uso dos pesticidas. “A decisão mostra que a proteção da natureza e da saúde das pessoas tem precedência sobre os estreitos interesses econômicos de multinacionais poderosas”, disse a estrategista jurídica do Greenpeace Andrea Carta.

Para proteger as abelhas, a União Europeia propõe a redução do uso de pesticidas químicos pela em 50% e do uso de fertilizantes em 20% até 2030.

Brasil

agrotóxico
Aprovação de agrotóxicos em 2020 foi recorde no Brasil. Foto: Pixabay

Segundo relatório do Greenpeace , o Brasil é o terceiro maior consumidor de pesticidas do mundo e utiliza muitas substâncias que não são permitidas na UE. Em 2019, 44% das substâncias aprovadas no Brasil não eram liberadas na UE. Além disso, 70% dos pesticidas usados no Brasil são classificados como altamente perigosos.

“Em abril de 2021, 3.231 pesticidas eram aprovados no Brasil. O governo Bolsonaro emitiu o recorde de 1.172 autorizações em apenas 845 dias de governo, sendo responsável por 36% de todos os pesticidas que podem ser comercializados legalmente no Brasil”, diz o texto.

Impacto nas abelhas

Um estudo realizado por biólogos brasileiros sugere que o efeito dos agrotóxicos sobre as abelhas pode ser maior do que se imagina. Mesmo quando usado em doses consideradas não letais, um inseticida encurtou o tempo de vida dos insetos em até 50%. Além disso, os pesquisadores observaram que uma substância fungicida considerada inofensiva para abelhas alterou o comportamento das operárias, tornando-as letárgicas – fato que pode comprometer o funcionamento de toda a colônia.

É um fato conhecido que diversas espécies de abelhas estão desaparecendo em todo o mundo. Na Europa e nos Estados Unidos, o fenômeno tem sido observado desde o ano 2000. No Brasil, desde pelo menos 2005. No Rio Grande do Sul, entre dezembro de 2018 e janeiro de 2019, foi registrada a perda de aproximadamente 5 mil colmeias – algo equivalente a 400 milhões de abelhas.

Foto: iStock by Getty Images

E não estão desaparecendo apenas os indivíduos da espécie Apis mellifera, abelha de origem europeia e principal responsável pela produção comercial de mel. Nas matas brasileiras, há centenas de espécies selvagens possivelmente afetadas. O impacto econômico previsto é imenso, pois grande parte da agricultura depende do trabalho de polinização realizado por esses insetos. É o caso, por exemplo, de todas as frutas comestíveis.

A causa do sumiço repentino em massa também já é conhecida: a aplicação indevida e indiscriminada de defensivos agrícolas. Compostos químicos como inseticidas, fungicidas, herbicidas e acaricidas contaminam as abelhas que saem da colônia em busca de pólen e acabam atingindo toda a colmeia. Uma vez dentro da colônia, tais compostos são ingeridos pelas larvas, comprometendo sua longevidade e o funcionamento da colônia como um todo.



Fonte: CicloVivo - Por Natasha Olsen



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