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Urso de óculos, única espécie do animal na América do Sul, está em risco de extinção

Compartilhe:     |  10 de novembro de 2014

Nas florestas de nuvens, as cores mudam com a brisa e o vento instiga a curiosidade Além das aves? Que bichos vivem nestas árvores?

Nossa equipe vai atrás de um mamífero raro: o urso de óculos, o único urso da América do Sul. Entramos na mata. Sabemos que ele mora longe e os perigos estão por perto. Em um buraco, uma imagem assusta: uma cobra com a cabeça alta, em posição de defesa ou ataque. É uma variedade da mussurana que vive no Brasil. Não é venenosa, mas tem fama de mal – ou de boa – porque se alimenta de outras cobras.

Comida na floresta é assunto sério. Um gafanhoto parece grande demais para o anambé, mas nada de desperdiçar. A primeira refeição do dia deve ser reforçada. O esquilo encontrou um cacho de tucumã. Os jacus também estão de olho nele.

As plantas com frutos são os restaurantes da floresta. Na busca por elas, os bichos se movimentam e até migram ao longo do ano. Uma pista a ser seguida.

Na busca pelo urso de óculos, o pessoal, a cada passo, vai atrás de sinais que a floresta vai dando. O primeiro dos mais importantes é o frutinho do aguacatilho. Ele tem gosto de jabuticaba e é rico em proteínas. É um ótimo sinal porque o urso costuma ir para o local para comer o aguacatilho e, nesses dias, ele está começando a amadurecer.

Seguimos pela mata. Alcançamos o topo de um morro. Arcênio tem uma estratégia: procura nas árvores manchas marrons, que são galhos que os ursos quebram para pegar as frutas. Nossas chances estão nelas e nos olhos dele.

Ele nos avisa que, ao longe, já é possível ver um deles. Nós estamos a uns 800 metros do urso. E é claro, não tem trilha. A gente vai pelo meio do mato e, no fundo do vale, temos que atravessar um rio. É mais complicado, mas o ânimo agora é outro, porque pelo menos a gente sabe que o urso está lá. É uma corrida contra o tempo, com obstáculos. Às vezes, nem sabemos que rumo tomar.

Toda pressa por medo do bicho ir embora. E surpresa! O urso está dormindo, ou quase, relaxadão no galho. As pernas largadas. Ele procura um apoio para a cabeça. E não é que o bicho dorme?

Temos tempo para esperar. Depois da soneca, desperta para a vida. Ainda está meio sonolento. Como é duro recomeçar o dia. Ele procura o que comer, mas não encontra, então, dá um salto. Agora, cheio de disposição, ele usa as garras e sobe atrás de frutinhos, o que mais?

Os braços se soltam e ele quase cai. O guia Arcenio Barrera conta que já viu um deles cair: “Uma única vez. Eu vi um urso comendo em um galho que se desprendeu do tronco e ele caiu com tudo. No outro dia, vi o mesmo urso em outra árvore, comendo fruta. Não aconteceu nada”.

No topo da árvore não falta habilidade. Para se apoiar, o urso distribui o peso do corpo pelos galhos. Age com unha e dentes, dentes primeiro. E come. Só pega as frutas maduras. As verdes, deixa para o próximo.

Os ursos são ótimos escaladores. Passam a maior parte do tempo em cima das árvores, onde constroem ninhos com galhos. Um adulto mede por volta de um metro e quarenta centímetros e pesa entre 90 e 130 quilos. Um bichão!

As patas poderosas têm cinco dedos com garras de até nove centímetros. Dá para encarar? O filhote dela, brincalhão, resolve ver o mundo de cabeça para baixo. O ursinho é a cara da mãe. As manchas claras no peito e na cabeça, às vezes, lembram o desenho de um óculos, daí o nome, urso de óculos.

Apesar de ocuparem quase toda a Cordilheira dos Andes, da Venezuela até a Argentina, os ursos sul-americanos estão em risco de extinção. Os cientistas calculam que menos de 20 mil deles ainda vivam em liberdade. Um grandalhão que só quer ser deixado em paz.

“Que eu saiba, pessoas eles nunca atacaram. Eu nunca ouvi falar que tenham atacado. Por exemplo, quando se chega muito perto, aí eles correm quando estão no chão”, explica Arcenio.

Depois de passar horas comendo, ele retoma o que os ursos adoram, a soneca. Com o queixinho sobre a pata, para que travesseiro?

Para a idealizadora da reserva, Rebeca Justicia, a presença do urso de óculos é uma grande prova de uma pequena vitória.
“Ele é muito bonito. O urso de óculos sempre arranca um ‘uau’ de quem vê.  Você sabe que este animal precisa de muitos quilômetros quadrados para viver e encontrar comida. Quando você vê muitos ursos juntos, aqui, você tem a sensação de que conseguiu uma pequena façanha”, diz Rebeca Justicia, presidente executiva da Fundação Maquipucuna.



Fonte: Globo Repórter



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