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Uso racional e tecnológico da água garantiu a longevidade do Império Romano

Compartilhe:     |  17 de dezembro de 2014

Surgido no ano de 27 a.C, o Império Romano chegou a compreender três continentes e abrigar cerca de 70 milhões de pessoas, perdurando por vários séculos. A longevidade do império teve como uma de suas principais bases o uso racional dos recursos hídricos, inclusive nas cidades onde a água era escassa, segundo um estudo novo publicado no Hydrology and Earth System Sciences (Hidrologia e Ciências do Sistema Terrestre, em tradução livre), periódico de acesso aberto da EGU (União Europeia de Geociência, em sigla em inglês).

Uma equipe composta por hidrólogos e historiadores investigou como, naquela época, os romanos conseguiam ter uma oferta estável de alimentos em todas as cidades do vasto império, mesmo em regiões com escassez de recursos hídricos e diante do clima árido e variável da região Mediterrânea.

O estudo mostrou ainda que essa prosperidade proporcionada pelo uso racional da água foi a causa do crescimento populacional e urbanização do império –e também da sua queda.

“Nós podemos aprender muito investigando como sociedades do passado lidavam com mudanças nos seus ambientes. Por exemplo, os romanos foram confrontados com o desafio de administrar os seus recursos hídricos diante do crescimento populacional e urbanização. Para assegurar a continuidade do crescimento e a estabilidade da civilização, eles tiveram que garantir a estabilidade da oferta de alimentos nas suas cidades, muitas delas localizadas em regiões com pouca água”, disse o cientista ambiental da Universidade de Utrecht, Brian Dermody.

Para isso, a equipe se concentrou em descobrir quanto de água era necessário para cultivar cereais, alimento básico da civilização romana, e como esse recurso hídrico estava distribuído dentro do Império. Os pesquisadores viram que eram necessários entre 1.000 e 2.000 litros de água para produzir um quilo de grãos.

A equipe usou um modelo hidrológico para calcular o rendimento de grãos, que variam de acordo com fatores como clima e tipo de solo, e utilizou ainda mapas que reconstruíam paisagem romana e da população para estimar onde a demanda da produção agrícola e alimentar a era maior.  Os pesquisadores também simularam o comércio de grãos com base na rede romana de transportes.

“Se a produção de grãos era baixa em uma determinada região, eles poderiam importar grãos de uma parte diferente do Mediterrâneo, que experimentou um superavit. Isso fez com que fossem altamente resistentes à variabilidade climática de curto prazo”, diz Dermody.

Além disso, quando os romanos negociavam a safra, eles também trocavam a água necessária para produzi-la, ou seja, trocavam o que os pesquisadores chamaram de “água virtual”. “Nós simulamos o comércio de água virtual baseado em regiões pobres do recurso (centros urbanos, como Roma) exigindo grãos da região rica em água virtual (regiões agrícolas, como a bacia do Nilo)”, explica Dermody.

Mas, as práticas inovadoras da gestão da água também podem ter contribuído para a queda do império. Com o comércio e a irrigação assegurando a estabilidade da oferta de alimentos para as cidades, a população cresceu e a urbanização se intensificou. Mais bocas para alimentar nos centros urbanos levaram os romanos a serem ainda mais dependentes do comércio, ao mesmo tempo em que o império chegava ao seu limite de produção.

“Estamos confrontados com um cenário muito semelhante hoje. O comércio de água virtual permitiu o rápido crescimento populacional e urbanização, desde o início da revolução industrial. No entanto, à medida que se aproxima dos limites dos recursos do planeta, a nossa vulnerabilidade a baixos rendimentos decorrentes das mudanças climáticas aumenta”, conclui Dermody.



Fonte: Uol



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