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Universidade de São Paulo desenvolve teste mais eficiente para detectar zika

Compartilhe:     |  18 de outubro de 2019

Novo método que já está disponível tem especificidade de 92% e reduz significativamente probabilidade de erro em resultados, além de identificar infecções passadas. Pesquisa foi realizada com recursos públicos.

O Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo desenvolveu um novo teste para identificar a infecção vírus da zika. O novo método identifica a doença com uma maior precisão do que os exames até então disponíveis e já está sendo usado em laboratórios clínicos.

Os testes antigos tinham uma especificidade de 75% e costumavam confundir o vírus da zika com a dengue. Com uma especificidade de 92%, o novo método praticamente elimina a confusão com vírus similares.

Os pesquisadores da USP primeiro identificaram uma proteína especifica do vírus, chamada Delta-NS1, que não aparece na dengue. A partir foi desenvolvido um teste com base nesta molécula, reduzindo significativamente a probabilidade de erro nos resultados.

“O maior problema para chegar a esse tipo de teste era a grande semelhança entre as proteínas do vírus da zika e as da dengue. Era muito difícil separar um do outro”, contou ao jornal Folha de S.Paulo o virologista Edison Luiz Durigon, um dos pesquisadores da USP envolvidos no estudo.

Depois de ter a eficácia comparada em mais de 3.000 exames, o novo teste já foi aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e os kits diagnósticos estão sendo produzidos pela empresa AdvaGen Biotech, de Itu, em São Paulo e devem custar entre 20 e 30 reais a unidade.

O teste identifica o vírus no sangue a partir de entre 15 e 20 dias após a infecção e consegue inclusive detectar infecções passadas e fica pronto em três horas e meia. Atualmente, um teste genético é realizado para o diagnóstico da doença.

Pesquisadores acreditam que o exame poderá facilitar o acompanhamento de gestantes na prevenção da microcefalia. “Se a gestante tiver zika o teste acusará. E aí se muda a conduta médica, com a possibilidade de acompanhar essa criança para que ela seja conduzida a um padrão normal na infância e adolescência”, afirmou Durigan à Agência Brasil.

A pesquisa foi desenvolvida com financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). Os pesquisadores trabalham agora, em parceria com o Instituto Butantan, no desenvolvimento de uma vacina contra o zika.

Em 2016, a Organização Mundial de Saúde (OMS) e o Ministério da Saúde brasileiro declararam a epidemia de zika uma emergência sanitária, após um aumento de casos de microcefalia em recém-nascidos relacionados com a infecção pelo vírus.

O número de casos de zika vem diminuindo nos últimos anos. No entanto, o Brasil ainda teve 8.680 diagnósticos em 2018 (em 2017 foram 17.593), com maior incidência nas regiões Norte e Centro-Oeste. O vírus é transmitido principalmente por picadas de mosquito, mas também durante a relação sexual desprotegida e de mãe para filho, na gestação.



Fonte: Deutsche Welle



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