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Vegana que vive na periferia de SP mostra que veganismo pode ser acessível aos pobres

Compartilhe:     |  10 de fevereiro de 2020

Luciene Santos usa as redes sociais para incentivar seus seguidores a adotarem o veganismo e para debater racismo e homofobia no movimento vegano

A estudante de Direito Luciene Santos, de 25 anos, moradora de Jaraguá, na periferia de São Paulo, usa as redes sociais para mostrar que é possível ser vegano sendo pobre.

Através do perfil no Instagram “Sapa Vegana”, ela dá dicas de receitas simples e baratas e também discute racismo e homofobia no movimento vegano. As informações são do portal Universa, da UOL.

“Sempre gostei de compartilhar informação. O Sapa Vegana foi a forma que encontrei de mostrar para as pessoas como eu o que é o veganismo na prática. Para aumentar o número de adeptos e, consequentemente, diminuir a exploração animal, é preciso aprender a lidar com a realidade da população brasileira”, disse. “Não sou apenas vegana, preta, pobre ou lésbica, sou tudo isso junto — e meu veganismo é vivido a partir disso”, completou.

A estudante garante que comida vegana é muito gostosa e prova isso através das receitas que divulga, como macarrão com molho branco de couve-flor, pizza vegana de shimeji, almôndegas de lentilha, entre outras.

“Conforme fui aprendendo, percebi que as pessoas que conviviam comigo também não sabiam nada sobre esse tipo de alimentação e, assim como eu no passado, apenas compravam os ingredientes e faziam da maneira que foram ensinadas, acreditando que aqueles eram os únicos alimentos possíveis e aquelas eram as únicas formas de prepará-los”, contou ao UOL.

Além de parar de colaborar com o sofrimento animal, Luciene também conseguiu reduzir seus gastos ao se tornar vegana. Se antes gastava cerca de R$ 400 mensais para comprar produtos de origem animal, hoje investe a metade do valor comprando vegetais no final da feira, quando os preços caem, e pechinchando.

Atualmente, a influenciadora digital conta com mais de 14 mil seguidores no Instagram. “Quando criei o perfil, meus seguidores eram meus amigos. Hoje existem diversas pessoas, veganas, ou não, de várias classes e estilos. Sempre recebo mensagens de gente que está na transição para o veganismo ou vegetarianismo, que são veganas e vegetarianas há muito tempo e até de quem não pensa em se tornar veg, mas gosta das receitas”, disse.

No perfil, ela também fala de homofobia e racismo. Após se assumir lésbica, ela teve que sair de casa para deixar de sofrer humilhações.

“Quando falo que veganos mais privilegiados precisam entender as particularidades da população, também é sobre isso que estou falando. Pode parecer irrelevante eu falar da minha sexualidade e racismo, mas já perdi muitos seguidores por começar a tratar desses assuntos. As pessoas que se dizem veganas se acham revolucionárias, mas o que tem de revolucionário num ser humano racista e LGBTfóbico?”, questionou.

Apesar de perder alguns seguidores, ela conquistou outros graças aos seus posicionamentos e recebeu muito apoio.

“Já morei de favor, já morei em ocupação, já me emprestaram dinheiro para pagar o aluguel. Foram muitas lágrimas, vontade de desistir, algumas vezes até tentei deixar de existir. Por isso, ouvir de muitas mulheres, principalmente as lésbicas e pretas, que sou inspiração, me motiva de um jeito que talvez elas sequer imaginem. Só tenho a agradecer. Meu máximo respeito a vocês, à nossa luta e à nossa resistência”, concluiu.



Fonte: Anda



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