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Veja como reduzir o lixo produzido ao pedir comida por aplicativo

Compartilhe:     |  5 de abril de 2021

Recusar itens desnecessários e optar por embalagens que são mais fáceis de reciclar ajudam a reduzir o impacto ambiental

O isolamento social imposto pela pandemia da covid-19 fez com que fosse preciso adotar novos hábitos de consumo, como usar aplicativos de celular para pedir refeições, fazer compras de supermercado ou até adquirir outros itens do dia a dia apenas escolhendo em uma plataforma online.

Segundo uma pesquisa da startup de gestão de finanças pessoais Mobillis, que analisou as despesas dos usuários em três dos principais aplicativos de entregas — Rappi, iFood e Uber Eats —, os gastos com delivery aumentaram 187% desde o início da pandemia em 2020.  A nova realidade, porém, tem um grande impacto negativo sobre a questão do lixo.

De acordo com a líder de conteúdo da plataforma de educação ambiental Menos 1 Lixo, Nina Marcucci, a taxa de reciclagem no Brasil é de apenas 3%. Isso significa que 97% de todo o lixo produzido pelos brasileiros é despejado em aterros sanitários ou lixões e também, eventualmente, chega ao mar. Para se ter uma ideia, cerca de 12 milhões de toneladas de plástico são lançadas nos oceanos todos os anos.

“Eu diria que 99% das embalagens dos pedidos por aplicativo são isopor, plástico filme ou fita adesiva — todos rejeitos que têm uma chance mínima de serem reciclados. Ainda não temos dados sobre o impacto da pandemia na questão do lixo, mas sabemos que certamente será muito negativo”, afirma.

“O problema da reciclagem no Brasil passa por três principais questões. Primeiramente, são poucas as pessoas que procuram fazer o descarte correto dos rejeitos. Em segundo lugar, esta não é uma atividade rentável por aqui — isto é, não gera lucro nem para as empresas, nem para as pessoas que trabalham com reciclagem. E, por último, faltam políticas públicas por parte dos governantes”, completa.

A primeira questão ressaltada por Nina é mais fácil de ser contornada. Nas cidades em que a é feita a coleta seletiva, é possível se informar pelo site da prefeitura para saber o dia e o horário que o caminhão passa pela rua para dar o destino certo para o plástico, o papel e o vidro.

A executiva orienta que antes de colocar o lixo na rua para ser coletado é preciso que os materiais estejam limpos. Retirar o resíduo de óleo que ficou nos itens que tiveram contato com comida, por exemplo, facilita a reciclagem e evita a contaminação de outros resíduos colocados juntos.

Segundo Nina, é possível ainda descartar os rejeitos em estabelecimentos que, muitas vezes, até oferecem descontos para quem levar seu lixo reciclável, como em alguns supermercados. Outra sugestão é usar aplicativos como o Cataki, que conecta o usuário com pessoas que trabalham com a coleta desse material.

Pelo fato de a reciclagem não ser uma atividade rentável no Brasil, no entanto, mesmo com o descarte correto, não há nenhuma garantia de que o material será reciclado. A executiva ressalta, portanto, que a melhor alternativa nunca é reciclar, mas sim, reduzir, repensar e fazer escolhas mais conscientes.

“É importante se informar sobre quais materiais têm maior chance de serem reciclados no Brasil. Entre eles, certamente está o alumínio. Reciclamos cerca de 98% de todas as latas que produzimos. Isso é muito alto. Se todos os resíduos recebessem esse investimento, possivelmente a reciclagem seria uma boa alternativa”, diz.

“Por isso, na hora de fazer o seu pedido, faça escolhas conscientes. Vai pedir uma cerveja? Peça lata, não longneck. Se não tiver lata, veja com o restaurante se há a possibilidade de retornar o vidro. Vai pedir uma comida? Não peça guardanapos, sachês e muito menos talheres descartáveis. São pequenas atitudes, que, no final das contas, podem fazer uma grande diferença”, completa.

Nina destaca ainda que os restaurantes também devem fazer a sua parte. Isso inclui, por exemplo, fazer promoções para estimular que as pessoas devolvam o que possa ser reutilizado e trabalhar com materiais que sejam amigos do meio ambiente.

Veja abaixo os desafios de cada embalagem:

*Estagiária do R7 sob supervisão de Pablo Marques



Fonte: R7- Sofia Pilagallo



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