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Veja diferenças entre os tipos 1, 2 e gestacional e entenda mitos e verdades sobre o diabetes

Compartilhe:     |  15 de novembro de 2019

O diabetes é uma doença crônica que ocorre quando o pâncreas não produz insulina suficientemente ou quando o organismo não consegue usar adequadamente a insulina produzida, causando um aumento de glicose na corrente sanguínea. Mas ela se divide em três tipos: o 1, o 2 e o gestacional, com causas e tratamentos diferentes. De acordo com a Federação Internacional de Diabetes, são 425 milhões de pessoas com o problema no mundo. Os números brasileiros também chamam a atenção para a doença: o Brasil ocupa o quarto lugar no ranking dos dez países com maior número de pessoas com diabetes, com 13 milhões de indivíduos, segundo a Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD). Em 2018, conforme a Pesquisa de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel), do Ministério da Saúde, 7,7% da população adulta brasileira foi diagnosticada com a doença. O dado demonstra um aumento de 40% em relação a 2006, quando o percentual foi de 5,5%.

– Quase 60% da prevenção se faz apenas com mudanças no estilo de vida, incluindo uma boa alimentação saudável, pouco calórica ou adequada à pessoa, e 150 minutos de atividades físicas por semana – comenta o médico, acrescentando que para a prevenção e tratamento é essencial ainda incentivar o acesso da população a informações sobre a doença, seja por meio de profissionais de saúde, imprensa ou outras fontes seguras, como o site da Sociedade Brasileira de Diabetes.

  • Diabetes tipo 1 – é uma doença autoimune, que geralmente começa na infância ou adolescência, quando o sistema imunológico começa a atacar as células beta, o que faz com que não haja liberação de insulina para o organismo. Embora alimentação e atividades físicas sejam fundamentais para garantir uma vida saudável e equilibrada ao portador da doença, ele depende fortemente do tratamento com injeções de insulina para o seu controle. Não está relacionada à obesidade. Cerca de 10% dos diabéticos têm a do tipo 1.
  • Diabetes tipo 2 – é uma doença adquirida ao longo da vida e que geralmente se manifesta já na idade adulta, quando o portador desenvolve resistência à insulina. Ou seja, o organismo não consegue usar a insulina que produz de forma adequada, ou não a produz em quantidade suficiente. Está relacionada à obesidade, sedentarismo e à alimentação. Depende fortemente de mudança de hábitos de vida para seu controle, mas medicamentos e insulina também podem ser necessários. Reeducação alimentar e atividade física são fundamentais para evitar e, quando já instalada, para controlar. Responde por cerca de 90% dos casos.
  • Diabetes gestacional – acontece quando o pâncreas não aumenta a produção de insulina durante a gravidez, gerando aumento de glicose no sangue. Essa necessidade de uma maior produção do hormônio acontece porque outros hormônios estimulados pela placenta diminuem a ação da insulina. O quadro é perigoso para a gestante e para o bebê.
Ter diabetes não significa que é preciso cortar o que é gostoso da dieta, mas incluir opções saudáveis, como carboidratos complexos e fibras — Foto: Pixabay

Ter diabetes não significa que é preciso cortar o que é gostoso da dieta, mas incluir opções saudáveis, como carboidratos complexos e fibras — Foto: Pixabay

  • Diabetes exige que se pare de comer tudo o que é gostoso – MITO

Além de ser uma crença geral equivocada, esse é também o medo principal em relação à doença e motivo pelo qual algumas pessoas não querem nem mesmo conhecer o diagnóstico. As recomendações para a alimentação de uma pessoa com diabetes são as mesmas indicadas para indivíduos que não tenham a doença: é preciso adotar uma alimentação saudável que evite o açúcar refinado, carboidratos de ação rápida e alimentos ultraprocessados. Nesse processo, deve-se trocar macarrão e arroz, por exemplo, pelas opções integrais ou mesmo carboidratos complexos, além de optar por alternativas mais saudáveis para o açúcar branco. Essas são as recomendações gerais. Para ter orientações mais individualizadas sobre alimentos e porções, é necessário conversar com médico endocrinologista ou nutricionista.

  • Insulina faz mal à saúde, pode cegar e, quando é prescrita, é sinal de não há mais jeito para a pessoa com diabetes – MITO

Se há falta desse hormônio, o tratamento permitirá a sua reposição sem causar mal à saúde da pessoa. Quando prescrita, a insulina ajuda o paciente a controlar melhor o diabetes e a aumentar sua qualidade e expectativa de vida. Trata-se, portanto, de um medicamento excepcional, sendo absolutamente vital para pessoas com o tipo 1 da doença e, dependendo do quadro, necessário para complementar o tratamento daquelas com o tipo 2. Conforme informações da SBD, vale lembrar que o tipo 1, que geralmente surge na infância, é caracterizado pela baixa ou nenhuma produção de insulina, fazendo com que a glicose fique no sangue e não seja utilizada como energia. Já o tipo 2 ocorre quando o corpo não consegue usar adequadamente a insulina produzida ou não a gera de forma suficiente para controlar a taxa de glicemia.

Obesidade é fator de risco do diabetes, mas deve estar associada à predisposição genética para causar a doença — Foto: Istock Getty Images

Obesidade é fator de risco do diabetes, mas deve estar associada à predisposição genética para causar a doença — Foto: Istock Getty Images

  • Obesidade é fator de risco para a doença – VERDADE

Esse é um dos principais fatores de risco e o maior gatilho para o tipo 2, inclusive. Porém, se a pessoa não tem predisposição genética para o problema, não será diabética. É o que explica que haja indivíduos obesos que não tenham a doença. Como acontece com outros problemas crônicos, é preciso haver uma combinação de fatores. Além da obesidade, casos da doença na família, mulheres que tiveram diabetes gestacional ou cujo filho tenha nascido com mais de 4 kg são outros fatores de risco importantes para essa doença.

  • Pessoas magras também podem ser diabéticas – VERDADE

O indivíduo pode se classificar como magro, mas apresentar excesso de gordura abdominal e visceral, que compromete órgãos como o pâncreas e o fígado. Por isso, além do próprio peso, é preciso conhecer também a medida da circunferência abdominal. Quando supera 80 cm entre as mulheres e 90 cm entre os homens, os riscos de diabetes são aumentados.

Conhecer a medida da circunferência abdominal ajuda entender riscos de diabetes, incluindo em pessoas magras — Foto: Pixabay

Conhecer a medida da circunferência abdominal ajuda entender riscos de diabetes, incluindo em pessoas magras — Foto: Pixabay

  • Os sintomas do diabetes são sempre evidentes – MITO

No início, essa é uma doença silenciosa. Quando a pessoa começa a notar sintomas, como fome frequente, sede excessiva, perda de peso, muita vontade de urinar, infecções urinárias e genitais, visão embaçada e dores nas pernas, por exemplo, é sinal de que o quadro já está avançado. Não se deve esperar pelos sintomas para saber se tem diabetes. É importante que o indivíduo assuma uma postura ativa e proativa em relação à doença. Para tanto, quem tem risco para esse problema deve adotar um estilo de vida saudável e, a partir dos 40 anos, realizar anualmente exame para checar os níveis de glicose no sangue.

  • Comer muito açúcar causa diabetes – MITO

Açúcar não causa diabetes. Seu consumo em excesso pode provocar obesidade, que é um dos fatores que desencadeiam a doença no indivíduo com predisposição para ser diabético. Depois que a pessoa já tem a doença, o açúcar pode, sim, causar picos de glicose no sangue, já que não há produção de insulina para esse controle.

Quem tem diabetes deve reduzir o consumo de açúcar refinado, optando por adoçantes ou a glicose própria dos alimentos, como se recomenda a qualquer pessoa — Foto: Divulgação

Quem tem diabetes deve reduzir o consumo de açúcar refinado, optando por adoçantes ou a glicose própria dos alimentos, como se recomenda a qualquer pessoa — Foto: Divulgação

  • Diabéticos devem trocar o açúcar por adoçante – MITO

Essa não é uma obrigação, mas uma alternativa para cortar o açúcar refinado. Pode-se optar pelo adoçante, como também contar com a glicose natural dos alimentos, por exemplo. Outro mito que envolve os adoçantes é que podem ser prejudiciais à saúde por conta do aspartame. Mas o médico reforça que esse é um produto completamente seguro. Atenção apenas para evitar exageros. Afinal, com já diz a sabedoria popular, a diferença entre o remédio e o veneno está na dose. Em poucas quantidades, nenhum adoçante fará mal à pessoa com diabetes. Consulte médico ou nutricionista para saber a quantidade indicada para o seu caso.

  • Há alimentos que controlam os níveis de glicose no sangue – MITO

Não há alimentos específicos que controlem o açúcar no sangue. No entanto, as fibras alimentares solúveis e insolúveis podem ser aliadas nesse sentido, ao evitarem que a glicose aumente rapidamente ou em grande quantidade no sangue. Mas isso não significa que comer alimentos com fibras seja o tratamento. Afinal, não há um fator único que previna o diabetes. Vale destacar que frutas, hortaliças, farelos de cereais, grãos integrais, nozes e leguminosas são fontes de fibras alimentares, que são fatores auxiliares nesse controle.

Prevenção e tratamento do diabetes passam necessariamente pela alimentação saudável e prática de atividades físicas — Foto: Unsplash

  • Atividades físicas são aliadas de quem tem diabetes ou quer preveni-la – VERDADE

Verdade. A prática regular de atividades físicas é uma medida fundamental e obrigatória para tratamento da doença. Segundo o médico, o tratamento é baseado nos seguintes quatro pontos: alimentação saudável, seguida pela atividade física, depois pelas medicações e, por último, pela educação para o diabetes, que inclui todo conhecimento e informação necessários para alcançar um bom controle da doença, passando pelo autoconhecimento, controle emocional, medidas preventivas, testes e exames, por exemplo.

  1. Alimentação saudável;
  2. Atividade física;
  3. Medicação;
  4. Informação.
  • Todas as bebidas alcoólicas estão proibidas – MITO

As destiladas, por exemplo, não têm carboidrato em sua composição. Porém, esse não é o caso de bebidas como vinho e cerveja, fontes de carboidratos. O importante é conhecer as quantidades de álcool e carboidrato existentes na bebida e, caso a pessoa esteja com o diabetes sob controle e em condições saudáveis, consumi-la com moderação. Uma taça de vinho ou uma lata de cerveja por dia são consideradas quantidades moderadas, de uma forma geral, mas é preciso individualizar essa recomendação conforme o paciente.

Em situações de estresse, para evitar alterações na glicemia, dicas são respirar profundamente dez a 15 vezes ou fazer micromeditação — Foto: Unsplash

Em situações de estresse, para evitar alterações na glicemia, dicas são respirar profundamente dez a 15 vezes ou fazer micromeditação — Foto: Unsplash

  • Estresse pode ajudar a descontrolar o diabetes – VERDADE

Indiretamente, o estresse pode fazer mal a pessoas não diabéticas. No caso de quem sofre com a doença, essa relação é direta. O estresse produz hormônios que podem impactar na quantidade de açúcar na corrente sanguínea. Segundo o médico, trata-se de um dos fatores mais importantes e comuns para essa alteração.

Vale destacar que não é apenas o estresse que promove esse descontrole da glicose no sangue. Fatores emocionais como um todo podem ter essa consequência. Mesmo quando determinada situação provoca uma emoção boa, como ao presenciar a formatura dos filhos, os hormônios produzidos podem levar a um aumento do açúcar no sangue.

Para evitar o estresse e suas complicações indiretas e diretas à saúde, como o descontrole da glicose, no caso dos diabéticos, o médico sugere duas técnicas fáceis de executar. São elas:

  1. Respirar profundamente, concentrando-se na respiração, por dez a 15 vezes seguidas;
  2. Realizar uma micromeditação. Há tutoriais na internet que ensinam a realizar esse processo.
Em vez do celular, leve para a cama um livro relaxante para ajudar a dormir bem, o que também contribui para manter diabetes sob controle — Foto: Unsplash

Em vez do celular, leve para a cama um livro relaxante para ajudar a dormir bem, o que também contribui para manter diabetes sob controle — Foto: Unsplash

  • Dormir bem ajuda a manter a doença controlada – VERDADE

Um sono de qualidade é essencial para uma boa saúde. No caso do diabetes não é diferente. Para praticar exercícios físicos é preciso força e energia. E isso requer reduzir o cansaço, que é queixa frequente entre a população. Para melhorar a qualidade do sono, portanto, o médico sugere:

  1. Ir para a cama mais cedo;
  2. Tomar um leite ou um chá antes de se deitar;
  3. Não levar o celular para a cama;
  4. Não ligar a televisão ao dormir;
  5. Já deitado na cama e com um abajur com uma luz confortável acessa, ler um livro. Mas é preciso escolher um título que não seja muito emocionante. Opte por um romance, e não um livro policial, por exemplo, para conseguir relaxar;
  6. Fechar a janela, evitando que luz e ruídos atrapalhem o sono;
  7. Por fim, buscar ser feliz e adotar uma visão mais positiva em relação à vida.


Fonte: Globo Esporte - Saúde - EU Atleta - Gabriela Bittencourt



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