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Veneno do peixe-pedra, espécie letal, é caminho para tratar dor “pior que a de parto” de suas vítimas desatentas

Compartilhe:     |  17 de junho de 2021

Pesquisa revela que a toxicidade do peixe mais venenoso do mundo é potente o suficiente para causar parada cardíaca e paralisar outros músculos. Mas ele também guarda o antídoto

Não, a foto acima não é de um coral. O peixe-pedra, também conhecido como Stonefish, é considerado o mais venenoso do mundo e pode ser facilmente confundido com pedras ou corais. Eles são encontrados nas regiões costeiras do Indo-Pacífico, podendo sobreviver até um dia fora d’água.

Pesquisas recentes sobre o veneno dessa espécie prometem melhorar o tratamento da dor da picada do peixe em banhistas que inadvertidamente pisam neles. Seu veneno é potente o suficiente para causar parada cardíaca e paralisar outros músculos, segundo cientistas da Universidade de Queensland e da Universidade de Ghent, na Bélgica. O veneno também prejudica a capacidade de coagulação do sangue.

E não é apenas a sua aparência que chama atenção. Eles também são únicos entre os peixes peçonhentos por terem glândulas de veneno bem definidas que ficam na base de seus treze espinhos dorsais. Quando alguém pisa neles, essa glândula é pressionada e se rompe, permitindo que o veneno suba pela espinha. A dor dessa picada é considerada por muitas mulheres tão terrivelmente dolorosa que foi descrita como “pior do que a dor do parto natural”.

O estudo, publicado na revista Toxicology Letters, confirmou que os efeitos paralíticos do veneno do peixe-pedra são neutralizados quando o veneno é liofilizado, ou seja, congelado sob vácuo e transformado em pó.

Testando o veneno de peixe-pedra liofilizado e recém-ordenhado em neurônios artificiais, os pesquisadores descobriram que o processo de liofilização parecia afetar apenas as propriedades paralíticas do veneno, mas não teve impacto em sua toxicidade para as células cardíacas – o que significa que o antiveneno existente funciona o suficiente para proteger contra os efeitos potencialmente letais do veneno da espécie.

Como o veneno do peixe-pedra é sensível ao calor, ele se decompõe em temperaturas mais altas e, por isso, despejar água quente em uma picada pode proporcionar alívio, “desde que o veneno ainda possa ser alcançado”, explica Bryan Fry, professor associado da Universidade de Queensland em declaração para o The Guardian. Mesmo assim, o antiveneno ainda é necessário quando o veneno já entrou em ampla circulação no corpo.

Os pesquisadores descobriram que o efeito paralítico do veneno do peixe-pedra se assemelha a uma versão mais branda do veneno dos víboras mortais. O efeito provavelmente evoluiu como um mecanismo de defesa contra a predação, disse Fry.

As descobertas do estudo também podem ter implicações para o antídoto contra águas-vivas e outros animais marinhos peçonhentos.



Fonte: Um Só Planeta - Foto ullstein bild/ Getty Images



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