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Ventos na galáxia mais distante do início do universo são vistos pela primeira vez

Compartilhe:     |  9 de setembro de 2018

Pela primeira vez, um poderoso “vento” de moléculas foi identificado na galáxia SPT2319-55, localizada a 12 bilhões de anos-luz de distância. O fenômeno aconteceu há um bilhão de anos, no início do universo. Com a descoberta, astrônomos esperam entender melhor como as primeiras galáxias regulavam a formação de estrelas.

“As galáxias são complicadas e bagunçadas, e acreditamos que as vazões e os ventos são peças fundamentais para a forma como elas se formam e evoluem, regulando sua capacidade de crescimento”, disse Justin Spilker, da Universidade do Texas, nos Estados Unidos.

A Via Láctea e Galáxia de Andrômeda têm taxas lentas na formação de estrelas, com cerca de uma nova a cada ano. Já as galáxias starbust, ques atravessam um processo intenso e contínuo de formação estelar, produzem de centenas a milhares por ano. Segundo especialistas, esse ritmo acelerado não pode ser mantido constantemente.

Publicado na revista Science, novo estudo apontou que algumas galáxias “estrangulam” sua estrela principal, expulsando (pelo menos temporariamente) vários gases pelos halos. Os elementos saem completamente ou retornam bem devagar, produzindo uma chuva de gases que desencadeia explosões que provocam novas estrelas.

Até agora, pesquisadores não tinham conseguido observar diretamente estes escoamentos. Usando o Atacama Large Millimeter Array (ALMA), rádio-observatório de 66 antenas do Chile, o astrônomo Spilker identificou um poderoso vento de moléculas na SPT2319-55.

Este resultado fornece dados sobre como galáxias no início do universo foram capazes de regular seu crescimento para que pudessem continuar formando estrelas ao longo do tempo.

Estudiosos já encontraram ventos com o mesmo tamanho, velocidade e massa em galáxias starburst próximas, mas a nova observação de ALMA é a mais distante já vista do início do universo.

O ALMA foi capaz de observá-la uma distância tão grande com a ajuda de uma lente gravitacional. A lente ampliou a SPT para torná-la mais brilhante, permitindo que astrônomos a observassem com mais detalhes. Os especialistas usaram programas de computador para desembaralhar os efeitos gravitacionais e reconstruíram uma imagem precisa do objeto.

O poderoso vento de gás formador de estrelas sai da galáxia a quase 800 quilômetros por segundo. Em vez de uma brisa suave e constante, o vento se afasta em grupos discretos, removendo o gás que forma a estrela principal com a mesma rapidez com que a SPT pode transformar a chuva de gases em novas estrelas.

A vazão de gases foi detectada pela presença milimétrica da molécula hidroxila (OH), que apareceu como uma sombra na luz infravermelha aplicada na SPT.

Segundo especialistas, os ventos moleculares são provocados pelos efeitos combinados de todas as explosões de supernovas que acompanham a formação de estrelas rápidas e massivas. Também pode ser acontecer por causa da liberação de energia quando alguns gases da galáxia caem no buraco negro central.

“Só observamos uma galáxia a uma distância cósmica tão notável, e gostaríamos de saber se ventos assim também estão presentes em outras galáxias para ver o quão comuns eles são”, afirmou Spilker. “Se eles ocorrem em todas, sabemos que os ventos moleculares são onipresentes e uma maneira comum de as galáxias regularem seu crescimento.”



Fonte: Galileu



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