Notícias

Vertebrado encontrado na Antártida já hibernava há 250 milhões de anos

Compartilhe:     |  28 de agosto de 2020

Pesquisadores da Universidade de Washington, nos Estados Unidos, encontraram evidências de que os animais já hibernavam 250 milhões de anos atrás. Em um estudo publicado nesta quinta-feira (27) na revista Communications Biology, os cientistas explicam ter feito a descoberta após a análise de um espécime de Lystrosaurus encontrado na Antártida.

Os Lystrosaurus são parentes distantes dos mamíferos, eram quadrúpedes, tinham uma forma robusta e se espalharam por diversos continentes durante a Pangeia, quando todos os continentes do planeta estavam juntos. Esses animais viveram durante milhões de anos e conseguiram resistir à maior extinção em massa da Terra, que ocorreu no fim do Período Permiano.

“O fato de que o Lystrosaurus sobreviveu à extinção em massa do final do Permiano e teve uma gama tão ampla no início do Triássico tornou-o um grupo de animais muito bem estudado para a compreensão da sobrevivência e adaptação”, explicou Christian Sidor, coautor do estudo, em comunicado.

Os fósseis são a evidência mais antiga de um estado semelhante à hibernação em um animal vertebrado e indicam que a prática surgiu muito antes dos mamíferos e dos próprios dinossauros. “Os animais que vivem nos polos ou perto deles sempre tiveram que lidar com os ambientes mais extremos”, disse a líder do estudo, Megan Whitney.

E foram justamente essas presas que tornaram o estudo possível. Como os elefantes, as presas do Lystrosaurus cresciam continuamente ao longo de suas vidas. Por isso, se seccionadas, é possível obter informações sobre a história de vida do animal, buscando alterações que evidenciem mudanças no metabolismo, crescimento e estresse.

Seção delgada da presa fossilizada de um Lystrosaurus antártico mostra camadas de dentina depositadas em anéis de crescimento (Foto: Megan Whitney/Christian Sidor)

Seção delgada da presa fossilizada de um Lystrosaurus antártico mostra camadas de dentina depositadas em anéis de crescimento (Foto: Megan Whitney/Christian Sidor)

No novo estudo, a equipe considerou os fósseis de um Lystrosaurus encontrado na África e outro na Antártida. Em ambos os casos, o padrão de crescimento das presas era semelhante, mas havia uma pequena mudança nos fósseis do continente gelado.

Segundo os cientistas, as presas da criatura encontrada na Antártida apresenta anéis grossos e bem espaçados, que provavelmente indicam períodos de menor deposição devido ao estresse prolongado. “O análogo mais próximo que podemos encontrar das ‘marcas de estresse’ que observamos nas presas do Lystrosaurus Antártico são marcas de estresse em dentes associadas à hibernação em certos animais modernos”, afirmou Whitney.

Seção delgada da presa fossilizada de um Lystrosaurus sul-africano. Em destaque, camadas de dentina depositadas em camadas de crescimento, sem sinais de um estado de hibernação. A barra de escala é de 0,1 milímetros. (Foto: Megan Whitney/Christian Sidor)
Seção delgada da presa fossilizada de um Lystrosaurus sul-africano. Em destaque, camadas de dentina depositadas em camadas de crescimento, sem sinais de um estado de hibernação. A barra de escala é de 0,1 milímetros. (Foto: Megan Whitney/Christian Sidor)

Os pesquisadores não podem concluir definitivamente que o Lystrosaurus passou por uma verdadeira hibernação, pois outro fenômeno pode ter levado ao surgimento dos anéis em suas presas. Ainda assim, se a análise de outros fósseis de Lystrosaurus da Antártida e da África do Sul confirmarem essa descoberta, ela também poderá encerrar outro debate sobre esses animais antigos.

“Animais de sangue frio muitas vezes ‘desligam’ seu metabolismo inteiramente durante uma temporada difícil, mas muitos animais endotérmicos ou de ‘sangue quente’ que hibernam frequentemente reativam seu metabolismo durante o período de hibernação”, explicou Whitney. “O que observamos nas presas de Lystrosaurus da Antártida se encaixa em um padrão de pequenos eventos de reativação metabólica durante um período de estresse, que é mais semelhante ao que vemos em hibernadores de sangue quente hoje.”



Fonte: Revista Galileu



Leia também:

Projetos ambientais
Aqui você é o Reporter

Espaço Animal

Gatos: dicas de cientistas para cuidar bem do seu pet

Leia Mais