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Viagem a Marte: o que falta para a humanidade pisar no planeta vermelho?

Compartilhe:     |  15 de setembro de 2019

Logo depois que Neil Armstrong pisou na Lua, em 1969, começaram as especulações sobre qual seria o próximo “pequeno passo para o homem e grande salto para a humanidade”. Marte, um dos planetas mais próximos da Terra, surgiu como a óbvia opção para uma viagem tripulada, mas o custo alto e as dificuldades técnicas impediram a continuidade da missão no século 20.

Embora o planejamento para uma viagem a Marte tenha evoluído muito, continua sendo um sonho que está a 55 milhões de quilômetros de distância. Mas o que falta para a humanidade pisar no planeta vermelho pela primeira vez?

Há, de fato, projetos sólidos para chegarmos lá. Elon Musk, a mente por trás da SpaceX, é quem tem os planos mais arrojados para visitar (e colonizar) Marte: a ideia é pisar no planeta vizinho em 2024. A Nasa tem um cronograma um pouco mais folgado para isso: chegar lá em 2034. Ivan Gontijo, brasileiro que faz parte da agência, já afirmou que “os problemas técnicos são gigantescos”.

Por enquanto, só robôs

Enquanto filmes como “Perdido em Marte” nos ajudam a sonhar com os primeiros passos em território marciano, as missões mais concretas são as não-tripuladas.

No ano que vem, quatro missões têm previsão de sair da Terra para estudos em nosso vizinho. São elas: China Mars Probe (da agência espacial chinesa), Mars2020 (da Nasa, que deve levar um helicóptero a Marte), Hope Mars Mission (dos Emirados Árabes Unidos) e Exomars (parceria entre a União Europeia e a Rússia).

O fato é que, seja para agências governamentais ou para empresas privadas, ainda há grandes desafios para nós, humanos, chegarmos ao astro sãos e salvos. Confira abaixo os seis principais motivos de ainda não termos pisado em solo marciano:

Dinheiro

A Nasa precisa economizar bastante para a viagem, já que não tem mais o mesmo poder de antes. Atualmente, o orçamento da agência norte-americana é de menos de 1% (cerca de US$ 20 bilhões) do orçamento federal nos EUA, muito menor se comparado aos 4,4% nos anos dourados da corrida espacial, durante as décadas de 60 e 70.

Empresas privadas como a SpaceX podem, então, tornar-se pioneiras quando o assunto é pisar em Marte pela primeira vez, já que não dependem de um orçamento público. Ainda assim, o custo estimado de uma viagem tripulada ao planeta passa facilmente dos US$ 100 bilhões – podendo chegar a US$ 500 bilhões.

Combustível

A ciência ainda precisa aperfeiçoar a ideia de como voltar para a Terra. Não é possível levar um tanque de combustível acoplado ao foguete por causa do peso, então sobram duas opções.

A primeira é manda-lo antes, em outra nave. A segunda, mais complexa, é produzi-lo em solo marciano. Para isso, a NASA montou uma operação chamada In Situ Resource Utilisation, para que os cientistas descubram a melhor maneira de fazer combustível no planeta vizinho.

Energia

Uma viagem a Marte não é um bate-volta da praia. Afinal, com tanto esforço para realizar uma missão dessa magnitude, precisamos ir além de somente fincar uma bandeira no planeta vermelho e voltar para casa. Especialistas indicam a necessidade de permanecer por lá pelo menos algumas semanas para estudo.

Logo, há a necessidade de produzir energia para conseguirmos fazer todas as pesquisas, coletas e observações — ou até mesmo para pessoas morarem em solo marciano, como quer Elon Musk.

A energia solar, que já foi utilizada para dar energia aos robôs que chegaram ao astro vermelho, não poderia ser usada da mesma maneira para missões tripuladas. Constantes tempestades de poeira impedem que os painéis solares sejam efetivos em uma escala tão grande.

A opção mais trabalhada é a da energia nuclear. Minirreatores nucleares podem prover a energia necessária para que humanos passem semanas (ou meses) em território marciano. Uma vantagem desse tipo de energia é que, em uma eventual falha, o próprio calor dos reatores poderia aquecer o habitat dos astronautas — a temperatura no planeta vizinho pode chegar a -98º.

Tempo de viagem e distância

São quase mil dias de viagem para percorrer ida e volta dos 55 milhões de quilômetros de distância, além de algumas semanas em território marciano. O recorde de tempo em órbita é de Sergei Krikalev, que ficou 748 dias no espaço.

Tanto tempo viajando, fora de nosso planeta, em um território desconhecido e incerto, pode trazer sérios problemas relacionados à saúde mental, como estresse, depressão, ansiedade e outras condições. Astronautas são treinados exaustivamente para sentir menos esses efeitos, mas nunca foi feita uma missão dessa magnitude.

Para superar o desafio, cientistas precisam fazer testes e mais testes. Um deles é o Hawaii Space Exploration Analog and Simulation. A ideia? Levar humanos para passar oito meses isolados perto de um vulcão no Havaí, com condições semelhantes a de Marte.

Radiação

Câncer. Demência. Visão prejudicada. Longe da Terra, a radiação solar pode causar sérios problemas, mesmo em um curto período. Uma viagem só de ida (cerca de nove meses) para Marte pode expor uma pessoa a 15 vezes mais radiação do que é permitido para um trabalhador de uma usina nuclear.

Como criar uma proteção que impeça tanta exposição à radiação? É isso que os cientistas tentam responder. Cogita-se, também, uma viagem mais rápida para o planeta vermelho, diminuindo a exposição que chega aos astronautas. É uma das prioridades das pesquisas e um obstáculo que precisa ser superado para que Nasa, SpaceX ou qualquer outra agência ou empresa possa mandar pessoas para lá.

Pesquisas da Estação Espacial Internacional têm ajudado os cientistas com informações valiosas sobre o clima espacial, o que deve contribuir para que o obstáculo seja superado em um futuro próximo.

Tecnologia

Os principais empecilhos tecnológicos estão relacionados à volta para Terra. Primeiro, Marte só tem 38% da gravidade da Terra, o que dificulta a propulsão para voltar. Com menor velocidade, a volta demoraria quase duas vezes a mais que a ida.

Segundo, a reentrada: com uma velocidade de 43 mil km/h, a chance do foguete pegar fogo ao reentrar é alta. Pesquisas precisam ser feitas para aperfeiçoar os materiais disponíveis, que ainda não são capazes de resistir às temperaturas estimadas durante a reentrada.



Fonte: Uol - Pedro Katchborian Colaboração para Tilt



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