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Vigorexia: quando a obsessão pelo corpo perfeito vira doença

Compartilhe:     |  22 de janeiro de 2020

Academia todos os dias, inclusive aos domingos. Exercícios aeróbicos cada vez mais puxados para eliminar aquela gordurinha que ninguém vê. Musculação, crossfit ou qualquer atividade que propicie o aumento da massa muscular e aquela sensação de força, de corpo malhado igual aos estampados nas capas de revista e redes sociais por celebridades. Para garantir bons resultados, os esforços físicos são acompanhados de dietas exageradas, uso de anabolizantes ou outras substâncias e, mesmo assim, ao olhar para o espelho, a imagem que se vê é a de um corpo fraco, frágil e pouco definido.

Conhecida como vigorexia, o transtorno dismórfico muscular é a incompatibilidade entre o corpo de uma pessoa e a imagem que ela tem de si própria. “Por mais musculoso que esteja, o indivíduo sempre vai se achar fraco e franzino, e então inicia uma busca obcecada pela perfeição física”, explica o psicólogo do Hospital Israelita Albert Einstein Thiago Amaro. Assim como a anorexia – quando a pessoa se vê sempre acima do peso e a busca pela magreza passa dos limites saudáveis – a vigorexia é motivada pelos padrões de beleza que, de forma excessiva, cultuam o corpo sarado, com abdômen e pernas definidos e braços durinhos.

Predominante em homens, especialmente com idade entre 18 e 35 anos, a vigorexia está classificada na medicina como um transtorno obsessivo compulsivo (TOC). Essa busca incessante por uma perfeição corporal que não existe pode trazer sérias consequências à saúde pelo aumento de lesões musculares, consumo indiscriminado de anabolizantes, suplementos alimentares e dietas restritivas que não conseguem suprir as necessidades do organismo. “Questões como saúde ou qualidade de vida deixam de ser o foco e a pessoa não mede esforços para alcançar o objetivo. Ela exagera nos exercícios, copia dietas que pegou na internet, não come direito”, diz Thiago Amaro.

De acordo com o trabalho, 6,9% dos homens relataram o uso de suplementos para ganhar peso ou aumentar os músculos e 2,8% assumiram a ingestão de esteroides anabolizantes. Já entre as mulheres, os percentuais foram significativamente menores: 0,7% e 0,4% respectivamente. Estes comportamentos podem se transformar em dismorfia muscular. “Entre os prejuízos do consumo de substâncias assim estão lesões no fígado, perda de nutrientes e desregulação do metabolismo. É uma degradação do corpo em busca da perfeição”, explica Thiago Amaro.

Corpos frequentemente lesionados e ansiedade para a prática de exercícios físicos também são características de pessoas com vigorexia. “Elas exageram e se machucam. Em muitos casos, deixam de ter convívio social por achar que não estão bem fisicamente ou por priorizar sempre a rotina da academia”, explica o profissional de educação física e conselheiro do Conselho Federal de Educação Física, Marcelo Ferreira Miranda.

O especialista lembra que o diagnóstico de uma pessoa com transtorno dismórfico muscular não é simples. O motivo é que muitas vezes a preocupação exagerada com o tamanho dos músculos, as dietas e a rotina de academia são confundidas com hábitos saudáveis. Por isso, educadores físicos, familiares e amigos têm papel fundamental no reconhecimento da doença. “É preciso estar atento. O Conselho orienta que os profissionais da área destaquem aos alunos que os benefícios da atividade física vão além da aparência. Ela melhora o sono, previne doenças cardiovasculares e crônicas degenerativas, propiciam bem-estar”, conta. E mais que isso: melhorar a autoestima dos alunos, não estabelecer metas audaciosas e exageradas e comemorar os resultados ajudam, segundo ele, a prevenir que os alunos de academia entrem no ciclo vicioso pelo corpo perfeito.

“Eu malho todos os dias. Quando me olho no espelho ainda acho que preciso secar mais e aumentar meus músculos, mas não sou bitolado”, afirma o personal trainer Erasmo Bernardo, de 32 anos. Ele diz que se policia com alimentação, evita álcool e pega firme na musculação, mas não deixa de ter compromissos sociais ou saborear alguns prazeres. “Um hambúrguer ou chocolate de vez em quando não faz mal a ninguém. Não posso resumir minha vida à academia”, diz.

Tratamento

Uma vez constatada a doença, o tratamento é multidisciplinar e envolve desde o preparador físico até nutricionista e psicoterapeuta. A equipe ajudará o paciente a identificar as mudanças no comportamento e visão distorcida que ele tem do seu próprio corpo. Em alguns casos é necessário uso de medicamentos para controle de ansiedade, depressão e sintomas de obsessão-compulsiva. “Quando se trata de transtornos como este, é difícil falarmos em cura porque nem sempre é possível separar o comportamento da personalidade da pessoa. O que fazemos é ajudá-la a lidar melhor com a situação”, afirma o psicólogo Thiago.

Características da Vigorexia

De acordo com o Body Dysmorphic Disorder Foundation, instituição norte-americana para conscientização sobre dismorfias corporais, o Transtorno Dismórfico Muscular, popularmente conhecido como vigorexia ou “anorexia reversa” é a preocupação em não ser suficientemente musculoso ou magro (quando não é esse o caso). Ele é caracterizado por:

• Tempo excessivo e esforço exagerado no levantamento de peso para aumentar a massa muscular

• Preocupação e pânico quando não pode comparecer aos treinos

• Preocupação em treinar mesmo lesionado

• Exagero nas dietas especiais ou suplementos proteicos

• Abuso de esteroides e, muitas vezes, uso indevido de outras substâncias

• Camuflagem do corpo por não achar que está perfeito

• Comparações exageradas de corpos

• Sofrimento significativo ou alterações de humor



Fonte: Revista Galileu - POR CRISTIANE BOMFIM - AGÊNCIA EINSTEIN



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