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Papel crucial que os supermercados exercem no seu padrão de consumo

Compartilhe:     |  10 de dezembro de 2019

No texto anterior eu afirmei que um bom recorte para se discutir o tema do consumo era distinguir entre o “consumo de nicho” e o “consumo de massa”. O primeiro depende muito mais de uma decisão individual, arbitrária e seletiva das classes médias, enquanto o segundo demanda políticas públicas indutoras que vão na linha de garantir a oferta, de regular padrões que garantam a segurança e a saudabilidade e até de restringir o uso de determinados produtos considerados “não seguros”.

Vamos tomar um exemplo fácil: prover a merenda escolar das escolas públicas com alimentos mais saudáveis, preferencialmente orgânicos. De um lado se apoia a agricultura orgânica (familiar ou em larga escala com créditos e subsídios ), depois garante-se a compra e a logística para fazer os alimentos chegarem às escolas. Esta é uma política pública virtuosa em mais de uma ponta. Junta a produção, a distribuição e o consumo final.

Mas nem tudo é fácil no reino do setor público onde as políticas de “comando e controle” (regulo, fiscalizo e puno) são maioria absoluta.
Incentivos, ações indutoras e conjuntas com o mercado são difíceis de implementar, mas às vezes são necessárias. No caso das políticas de consumo sustentável eu afirmo que são imprescindíveis.

Vou dar outro exemplo, desta feita no âmbito do I Plano Nacional de Produção e Consumo Sustentável, lançado em 2011, que tive o privilegio de coordenar, como ação do Ministério do Meio Ambiente, mas que envolvia outros sete ministérios (Saúde, Industria e Comércio, Minas e Energia, entre outros).

Só para se ter ideia da participação decisiva destes outros ministérios, é da competência da ANVISA, órgão vinculado ao Ministério da Saúde, aprovar ou não os agrotóxicos destinados à lavoura, bem como estabelecer junto à indústria alimentícia os acordos para diminuir o sódio e as gorduras saturadas, como já mencionei. No caso de Minas e Energia, temos todos os labels e standards para aparelhos elétricos e utilidades que “economizam energia”. Na campanha nacional pela redução das sacolas plásticas foi fundamental a participação do Ministério de Industria e Comércio, assim com a parceria com o setor privado e a mídia.

E por aí vai.

Percebemos contudo, ao elaborar o Plano, que sabíamos muito pouco sobre os hábitos de consumo da população em geral, e mais, que não tínhamos instrumentos para “conversar” com os consumidores.

Surgiu daí uma aliança estratégica com o setor supermercadista que no Plano recebeu a rubrica de “Varejo Sustentável”.

Milhões de pessoas pesam sua decisão de compra, diariamente, segundo motivações e padrões de consumo que o setor conhece bem. O mais objetivo, logicamente é a renda, o poder aquisitivo.

Aspectos identitários subjetivos, ditados pela moda, pela força de indução do marketing, do abastecimento mais básico ao consumo supérfluo, quem dioturnamente oferta, colocando os produtos à disposição dos compradores, é o supermercado. Além deste poder junto ao consumidor o setor também desfruta de posição vantajosa para negociar junto aos seus fornecedores (em geral gigantes como Unilever, CocaCola, Nestlé, etc) e demandar produtos mais sustentáveis. Mas não são só os supermercados. Quando falamos varejo estão incluídas as pequenas e grandes lojas, as redes de conveniência, as farmácias, etc.

Quem tem a logística ponto a ponto e que chega a qualquer cidade, das grandes metrópoles aos rincões mais afastados, é o supermercado ou os “mercadinhos locais”.

Mas trocando em miúdos, quais são as ações meritórias e cruciais que os supermercados estão em condições de implementar — ou de facilitar a implementação – na indução da produção e de um consumo mais sustentáveis?

Vou contar, com detalhe no próximo texto.



Fonte: Envolverde - por Samyra Crespo



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