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Você vai se indignar com o drama vivido pelos famosos peixes betta

Compartilhe:     |  2 de outubro de 2016

Imagine ter de viver em um ambiente minúsculo onde não há mais nada para fazer do que dar voltas e conviver com seus próprios dejetos.

Esta é exatamente a forma de vida dos peixes que algumas pessoas criam em casa. A prática é considerada normal e as espécies mais populares do mercado são os Betta splendens, ou simplesmente betta, de acordo com informações do biólogo Vinicius Silva, para o Diário de Biologia.

Considerado extremamente resistente, o peixe betta é sem dúvidas deslumbrante e barato, características que o tornam especialmente atrativo. Logo, por valor baixos, que em algumas lojas não chegam a 50 reais, você pode levar para casa o chamado um kit completo – composto por um peixe de sua escolha, um pacote de pedras coloridas, um envelope de comida, um pequeno aquário e um folheto de instruções.

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No entanto, muitos criadores acabam confundindo a ideia de resistência com conforto. Nós, humanos, por exemplo, somos capazes de nos adaptar às mais adversas situações, mas não achamos natural sermos expostos a elas desnecessariamente. O mesmo ocorre com os peixes. É preciso entender que o fato da espécie não morrer facilmente, não significa que ela não esteja sofrendo, conforme apontou o biólogo.

É certo que, em seu habitat de origem, os arrozais da Ásia, e vivendo muitas das vezes em pequenos regatos ou poças, os peixes betta não são de grande mobilidade. No entanto, condená-los a respirar seus próprios desejos pelo resto de sua existência é uma atrocidade.

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Essa espécie faz parte da ordem dos anabatídeos e possui um órgão auxiliar chamado labirinto, que lhe permite respirar o mesmo oxigênio que nós. Logo, não são necessários gastos com bombas de oxigênio para os aquários – e isso já qualifica um cenário perfeito para morte prematura, já que o espaço é pequeno e a água parada.

Há de se considerar também as pedras coloridas, que apesar de atrativas, podem soltar tintas tóxicas para os peixes. Alguns lojistas ainda orientam erroneamente os compradores a encherem o aquário com água da torneira, ignorando o fato de que ela é misturada com vários componentes e não possui o pH neutro ideal. O peixe é capaz de sentir essa diferença, que causará mudanças em seu aspecto físico.

Ainda, por serem baratos, muitos criadores sequer se preocupam em aprender os princípios básicos para cuidar do animal. Afinal, se ele morrer basta substitui-lo por um novo. Logo, o biólogo aponta para uma falta de consciência das pessoas sobre os chamados “peixes ornamentais”, que em essência são considerados que simples “enfeites”.



Fonte: Jornal Ciência - Merelyn Cerqueira



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