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Vulcões em Vênus podem explicar origem da fosfina? Cientistas acreditam que sim

Compartilhe:     |  3 de outubro de 2020

Conceito artístico de vulcões em atividade no planeta Vênus (Imagem: Reprodução/NASA/JPL-Caltech/Peter Rubin)

descoberta da fosfina na atmosfera de Vênus despertou interesse no mundo científico. Infelizmente, as conclusões concretas sobre isso devem demorar, pois demandam mais pesquisas e estudos para confirmar o que foi descoberto. Ainda temos que esperar para saber se aquela fosfina é ou não fruto de processos biológicos, mas os estudiosos já têm novas hipóteses sobre as quais trabalhar.

Encontrar fosfina em outro planeta pode significar muita coisa, e também pode não significar nada de absurdo. Independentemente dos processos que criam esse gás por lá, é preciso obter respostas detalhadas através de estudos minuciosos, observações diretas e análises precisas de material venusiano — e tudo isso demanda tempo e dinheiro. Mas nada impede que novas hipóteses sejam apresentadas, até porque elas podem ser muito úteis para orientar melhor as pesquisas.

Uma dessas hipóteses sobre a origem da fosfina em Vênus surgiu recentemente no repositório de artigos científicos arxiv.org e aguarda a revisão de pares. No texto, uma dupla de cientistas propõe que o gás tem origem química, e não biológica. O problema com essa ideia é que, para formar fosfina em processos abióticos, seria necessária uma grande quantidade de energia, ou algum outro mecanismo que ainda não conhecemos. Mas qual? Para os autores do artigo, a resposta pode ser simples: vulcões.

Em seu artigo, a dupla escreveu que “vestígios de fosfetos formados no manto [de Vênus] seriam trazidos à superfície por vulcanismo e, posteriormente, ejetados para a atmosfera, onde poderiam reagir com água ou ácido sulfúrico para formar fosfina”. Para testar essa hipótese, eles realizaram um cálculo. O primeiro passo foi saber o volume de fosfina presente na atmosfera de Vênus.

Os cientistas que descobriram a fosfina no planeta afirmaram que a proporção é de vinte moléculas para cada bilhão em uma camada atmosférica de 8 km de espessura, entre 53 e 61 km de altitude. Então, a dupla de pesquisadores calculou que há 27 bilhões de kg do gás na atmosfera superior de Vênus.

Outro fator importante é a fragilidade da fosfina, que é destruída muito facilmente. O novo artigo diz que na camada de 53-61 km, a fosfina pode ser estável até cerca de um ano. Isso significa que Vênus precisaria produzir a mesma quantidade de fosfetos para criar 27 bilhões de kg de fosfina por ano. “Com base nessa suposição, os vulcões precisariam produzir ~ 2.7 x 1010 kg de fosfeto a cada ano para bombear continuamente para a atmosfera intermediária, e então reagir com as gotículas de ácido sulfúrico para produzir a fosfina observada”, escreveu a dupla.

Assim, eles concluíram que os vulcões venusianos precisam produzir anualmente 93 kg cúbicos de lava para criar fosforetos suficientes. Mas será que há tanto magma assim por lá? Bem, por enquanto os cientistas ainda não chegaram a um consenso, pois algumas pesquisas sugerem que sim, e outras apontam que não.

Claro que nenhum cientista sério se dá ao direito de bater o martelo na questão afirmando que o elemento comprova vida alienígena em Vênus — por mais que alguns excessos possam ter sido cometidos em momentos de entusiasmo. Os próprios autores do artigo original, que anunciou a descoberta, foram cautelosos o suficiente para que ninguém se iluda com falsas expectativas, inclusive mostrando mecanismos de produção abiótica de fosfina. Por isso, eles são mais que gratos por novos estudos ajudarem neste trabalho. “Por favor, faça isso”, pediram eles. “Estamos no fim de nossas possibilidades de mostrar processos abióticos que podem produzir fosfina”.



Fonte: Canal Tech - Por Daniele Cavalcante - Universe Today



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