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Workshop realizado pelo MCTI discutirá o sistema de monitoramento do clima

Compartilhe:     |  25 de fevereiro de 2015

O Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) troca experiências com especialistas e instituições para conceber e desenvolver o Sistema Brasileiro de Monitoramento e Observação de Impactos das Mudanças Climáticas (Sismoi), em workshop iniciado na última segunda-feira (23). O evento segue até esta quarta (25), na Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), em Brasília (DF).

Para o coordenador-geral substituto de Mudanças Globais de Clima do MCTI, Márcio Rojas, a crise hídrica na Região Sudeste deixa claro para o Brasil “a necessidade de avançar na maneira como responde a questões climáticas”.

Na visão dele, o Sismoi representa um esforço relevante do ministério em busca de gerar uma ferramenta capaz de avaliar os impactos da variabilidade e mudança de clima e apoiar a elaboração de políticas de adaptação.

Rojas destacou, na abertura do workshop, que o evento dá continuidade ao seminário internacional Desafios para o Monitoramento e a Observação dos Impactos de Mudanças Climáticas, realizado pelo MCTI em setembro, como ação do projeto Diálogos Setoriais entre Brasil e União Europeia.

“Na ocasião, definiu-se com um pouco mais de clareza qual seria o escopo do Sismoi, e ficou muito claro para todo mundo que monitoramento e observação deveriam servir não apenas como instrumento para medir e demonstrar os efeitos de mudanças climáticas, no sentido de estimular o avanço da fronteira do conhecimento na área, mas fundamentalmente para subsidiar tomadas de decisão e políticas públicas no Brasil”, lembrou o coordenador-geral.

Adaptação

O pesquisador José Marengo, do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden/MCTI), mencionou dados do 5º Relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês), que coloca a variabilidade como inevitável nas próximas décadas, provocando um desafio para o crescimento e o desenvolvimento da América Latina.

“A ideia do Sismoi é superar o pensamento de que mudança do clima se limita ao aumento da temperatura ou estiagens e chuvas mais intensas”, explicou o pesquisador. Ele lembrou, por exemplo, que situações de escassez de água podem causar atritos entre estados que compartilham bacias hidrográficas.

Marengo antecipou que o projeto do Sismoi deve partir de um setor específico e/ou uma região geográfica, a depender das definições do workshop. “Seria difícil começar a experiência em todos os setores em um País de dimensões continentais”, afirmou. “Teremos uma área piloto, um setor piloto, para então gerar uma metodologia que possa ser expandida nos próximos anos.”

Plataforma

Segundo o consultor Marco Follador, contratado pelo MCTI para auxiliar na concepção do Sismoi, não existe hoje no Brasil uma ferramenta semelhante, voltada ao compartilhamento de dados sobre os efeitos das mudanças climáticas: “As informações precisam estar disponíveis de uma forma simples, clara e transparente, sobretudo para os tomadores de decisão política, mas também para os setores privado, como empresas de seguros, e acadêmico.”

O coordenador-geral de Gestão Estratégica do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão, Dênis Soares, apresentou a Infraestrutura Nacional de Dados Espaciais (Inde), plataforma criada pelo governo federal em 2008 para dar suporte ao monitoramento e à avaliação das políticas públicas.

A finalidade da plataforma é reunir dados produzidos por órgãos governamentais em um único portal de internet e permitir o uso racional das informações geográficas e a disseminação de uma cultura de visualização das diretrizes no território.

A diretora de Licenciamento e Avaliação Ambiental do Ministério do Meio Ambiente, Karen Cope, recordou a elaboração do Plano Plurianual (PPA) 2012-2015, ainda em 2011, quando o MCTI colocou o Sismoi como uma das iniciativas dentro dos objetivos estratégicos que lhe cabiam no Programa Temático de Mudanças Climáticas.

“O processo de formulação do PPA 2016-2019 começa agora no próximo mês e seria importante repetir a inclusão do sistema, mas com um objetivo mais qualificado e avançado”, ressaltou Cope.

O workshop na Capes reúne especialistas de setores relacionados ao clima ou sensíveis às suas variações, como hidroeletricidade e energias renováveis, agricultura e segurança alimentar, hidrologia, desastres naturais, mudanças no uso da terra, ecossistemas naturais e biomas, oceanos e zonas costeiras, infraestrutura urbana, indústria, saúde, economia e desenvolvimento regional.



Fonte: Portal do Brasil



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