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WWF lança plano de conservação da onça-pintada na América Latina

Compartilhe:     |  24 de novembro de 2020

Ela é linda, ágil e inteligente. Espécie emblemática e reconhecida como maior felino das Américas, desenvolve um papel fundamental nas florestas, e por séculos tem sido cultuada como símbolo de força por inúmeros povos indígenas na América do Sul.

A onça-pintada é um animal de topo da cadeia alimentar, ou seja, que controla populações de outras espécies e, com isso, sustenta um delicado equilíbrio entre fauna e flora. Sua presença é um importante bioindicador da qualidade de um ambiente natural.

Estima-se que as áreas habitadas pelos felinos, globalmente, fornecem 12% da captura de CO², 10,5% da produção de madeira e 9,8% da pesca comercial. Mas, infelizmente, os cientistas calculam que nas últimas décadas a espécie tenha perdido 50% de sua distribuição histórica. Apenas 8,6% da superfície terrestre do planeta hoje possui populações de onça-pintada.

Essa mesma área é lar de 28% de toda biodiversidade global. Considerada como “quase ameaçada” na Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas da União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN), existem apenas 174.000 espécimes na natureza, 2/3 na Amazônia.

Dentre as ameaças ao animal, o desmatamento, seja pela expansão da agricultura e da pecuária industrial, a expansão da área urbana, a extração ilegal de madeira, o desenvolvimento de projetos de infraestrutura, a degradação e perda de seus habitats, a caça ilegal e o tráfico internacional.

Plano transfronteiriço de conservação

brasil não assina compromisso ambiental
Foto: Pixabay

Assim, com o objetivo de garantir a recuperação da onça-pintada, foi criada a Estratégia de Conservação da Onça-Pintada 2020-2030, um programa que contempla 15 paisagens prioritárias, em 14 dos 18 países onde o felino ainda vive, inclusive no Brasil.

Coordenada pela Rede WWF em parceria com outras organizações, a Estratégia irá promover atividades econômicas sustentáveis, como agrofloresta e restauração florestal comunitária, em benefício das populações humanas que coexistem com o felino.

“A onça-pintada pode se tornar um símbolo de desenvolvimento sustentável na América Latina, e os esforços dirigidos a sua conservação podem ajudar os países a cumprir suas metas de desenvolvimento sustentável”, disse Maria José Villanueva, Diretora de Conservação do WWF-México e líder regional da iniciativa de conservação da onça-pintada.

A estratégia, que tem duração de 10 anos, será um guia para as ações do WWF na região a favor do maior felino do continente e das áreas que ele habita. A ideia é assegurar as Unidades de Conservação da Onça-Pintada, áreas de prioridade para a proteção da espécie. Das 15 paisagens prioritárias identificadas pelos cientistas ao longo de 20 anos, sete são transfronteiriças:

“A Estratégia delineia as duas metas que a Rede WWF planeja alcançar para 2030: estabilizar ou aumentar as populações de onça-pintada e aumentar ou estabilizar a distribuição do felino, as populações de suas presas e a conectividade de seus habitats dentro das 15 paisagens prioritários”, explica Roberto Troya, Diretor Regional do WWF na América Latina e Caribe.

A Estratégia de Conservação da Onça-Pintada 2020-2030 está sendo lançada quando a conexão entre a nossa saúde e a da natureza está mais evidente que nunca. Hoje sabemos que a perda de biodiversidade está ligada à aparição de vírus como o SARS-CoV-2, que causa o COVID-19. “Ao conservar a onça-pintada e seu habitat, o WWF contribui em reverter a perda de espécies e em diminuir a probabilidade de surgirem novas enfermidades de origem animal”, disse Troya.

O documento também delineia as contribuições do WWF a outros esforços internacionais de conservação, como o Plano Onça-pintada 2030, lançado na CoP-14 de Diversidade Biológica, em 2018. Entre as contribuições, destacam-se o fortalecimento da cooperação transfronteiriça, o impulsionamento de modelos de desenvolvimento sustentável compatíveis com a conservação da onça-pintada nas paisagens prioritárias e melhorar a sustentabilidade financeira das ações dirigidas à conservação da onça-pintada e de seu habitat.

Atuação do WWF-Brasil

Ao longo da história do WWF-Brasil, já desenvolvemos projetos pela conservação da onça-pintada em alguns biomas brasileiros e nas regiões compartilhadas com outros países da América do Sul.

Marcelo Oliveira, especialista em conservação do WWF-Brasil, explica que na Amazônia as ações priorizam a geração de conhecimento científico. “Assim temos melhor entendimento sobre o estado de conservação das populações desse felino nas áreas protegidas, incluindo os territórios indígenas, que são refúgios importantíssimos para manutenção da maior população de onças-pintadas do mundo”, comenta.

Já na Mata Atlântica, um exemplo de atuação do WWF-Brasil é o projeto de conservação de onças-pintadas no corredor trinacional, em parceira com Argentina e Paraguai. Dentro desta cooperação, pesquisadores brasileiros e argentinos realizam juntos desde 2015 o censo populacional de onças-pintadas (Parque Nacional do Iguaçu, Brasil, e Corredor Verde, Argentina).

último censo, divulgado em novembro de 2019, apontou crescimento do número de onças-pintadas na região. O total estimado passou de 71 a 107, em 2016, para entre 84 e 125 no ano passado. Foram 217 pontos de amostragem, 600 mil hectares amostrados e mais de 10 mil km percorridos pelas equipes dos dois países. De carro, a pé, de barco e helicóptero, armadilhas fotográficas foram instaladas para que a densidade das onças-pintadas pudesse ser amostrada.

Felipe Feliciani, analista de conservação do WWF-Brasil, explica que, no Brasil, os trabalhos são focados no Parque Nacional do Iguaçu (PR) e no Parque Estadual do Turvo (RS). “Os resultados obtidos nos últimos anos são animadores e demonstram que os esforços de conservação estão surtindo efeito. A população de onças-pintadas no Parque Nacional do Iguaçu, por exemplo, é a única na Mata Atlântica, que comprovadamente está em uma curva crescente”, comenta.

onça-pintada
Foto: iStock

Um novo censo deveria ter sido feito no primeiro semestre de 2020, mas foi adiado por conta da pandemia de Covid-19. Ainda assim, o projeto Onças do Iguaçu e outros parceiros locais continuam atuando na região pela conservação das onças. Ficou curioso para saber mais sobre essa parceria? Escute o podcast Barulho da Onça!

“A Estratégia regional para a conservação de onças-pintadas vai fortalecer ainda mais esse trabalho conjunto entre países vizinhos, além de promover de forma mais intensa a troca de experiências entre os diversos projetos que atuam em todo o território de ocorrência da espécie”, reflete Felipe Feliciani.



Fonte: CicloVivo



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